Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 10h58.
Última atualização em 6 de fevereiro de 2026 às 11h05.
O Ministério da Fazenda reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 para 2,3%, em nova estimativa divulgada no Balanço Macrofiscal de 2025 e Perspectivas para 2026.
A estimativa anterior era de 2,4%, mas foi revista após a expectativa de desaceleração mais pronunciada da atividade econômica no segundo semestre de 2025.
Na avaliação por setor, a agropecuária deve crescer apenas 0,5%, com menor produção de milho e arroz e menor abate de bovinos, mesmo com recordes esperados para soja e expansão da produção de café e cana-de-açúcar. A indústria deve avançar 2,3%, impulsionada pela recuperação da construção e da transformação, apoiadas em programas como o Move Brasil e o Reforma Casa Brasil.
O setor de serviços aparece com a maior expectativa de crescimento, de 2,4%. Esse desempenho será sustentado por fatores como o pagamento de precatórios, mudanças no imposto de renda, expansão do crédito e renda real.
Pelo lado da demanda, espera-se maior contribuição da absorção doméstica, enquanto o setor externo deve pesar negativamente sobre o crescimento.
O consumo das famílias tende a crescer com o aumento da renda disponível, sobretudo nas faixas de menor renda. Já o investimento deve avançar em ritmo moderado, acelerando apenas na segunda metade do ano com a queda dos juros.
A previsão de inflação medida pelo IPCA para 2026 é de 3,6%, abaixo dos 4,3% esperados para 2025.
A desinflação será puxada pela redução nos preços de bens industriais, energia e combustíveis, além de efeitos da política monetária contracionista ainda vigentes.
Em contrapartida, os preços de alimentos devem acelerar, pressionados por eventos climáticos e menor oferta de carne bovina.
No documento, o governo afirma que em 2025 deu continuidade ao processo de ajuste fiscal iniciado no ano anterior, buscando estabilizar a trajetória da dívida pública.
A meta da LDO de 2025 era de déficit primário zero, com tolerância de até R$ 30,97 bilhões. Porém, após compensações legais, o resultado primário final foi de R$ 13 bilhões de déficit, ou -0,10% do PIB.
Esse resultado reflete o abatimento de despesas excepcionais, como o pagamento de precatórios (R$ 48,6 bilhões), decisões judiciais sobre benefícios previdenciários e gastos temporários com educação e defesa. Acima da linha, o déficit teria sido de R$ 61,69 bilhões.
Para 2026, o governo projeta a primeira meta fiscal superavitária sob o novo arcabouço. A previsão é de superávit primário de 0,25% do PIB, o que equivale a R$ 34,5 bilhões após compensações.
Mesmo com o pagamento adicional de R$ 57,8 bilhões em precatórios, a equipe econômica prevê que será possível cumprir a meta estabelecida na LDO de 2026.
A expectativa para 2027 é ainda mais ambiciosa: superávit primário de 0,50% do PIB, em linha com o plano de consolidação fiscal do Ministério da Fazenda.