Economia

EUA diz que economia de combustível não é mais imperativo para país

Posicionamento contraria décadas de campanhas governamentais em defesa de carros mais econômicos e programas de otimização do uso de fontes de energia

Sonda de petróleo: investimentos vultosos e arriscados à vista.
 (Christian Hartmann/Reuters)

Sonda de petróleo: investimentos vultosos e arriscados à vista. (Christian Hartmann/Reuters)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 19 de agosto de 2018 às 17h04.

Washington - Um comunicado sobre uma nova política para o petróleo divulgado recentemente pela administração Trump declara que economizar combustível já não é mais um "imperativo econômico" para os Estados Unidos.

A determinação contraria décadas de campanhas governamentais no país em defesa de carros mais econômicos e outros programas de otimização do uso de fontes de energia.

A posição foi destacada em um memorando divulgado no último mês, sem alarde, em apoio à proposta do governo do presidente Donald Trump de flexibilizar os parâmetros de rendimento de combustíveis em carros e caminhões após 2020.

O aumento da produção norte-americana de gás natural e outras fontes alternativas ao petróleo reduziram a necessidade de importação do combustível pelo país, assim como a de economizar energia, diz o Departamento de Energia dos EUA no documento.

O texto menciona o processo de extração de petróleo conhecido como "fracking", que começou a ser utilizado há cerca de dez anos nos EUA e por meio do qual químicos e líquidos injetados sob alta pressão em rochas para extrair petróleo ou gás natural.

Os EUA vêm acessando novas reservas de petróleo desta forma o que, de acordo com o documento, confere ao país "mais flexibilidade do que no passado" para usar tais reservas "com menos preocupação".

Com o memorando, a administração Trump confronta justificativas anteriores para políticas conservacionistas. O transporte público é a única grande fonte de emissões de gases de efeito estufa mencionada no texto.

Trump já questionou a ocorrência das mudanças climáticas e pediu a flexibilização do que chama de regulação pesada de petróleo, gás e carvão, incluindo a revogação do Plano de Energia Limpa do ex-presidente Barack Obama.

Apesar do incremento da oferta de petróleo, o Departamento de Energia disse no memorando que continua defendendo a necessidade de "usar energia sabiamente", sem dar mais detalhes.

Os EUA competem com a Rússia pelo título de maior produtor mundial de petróleo. A produção norte-americana do combustível bateu recorde neste verão do Hemisfério Norte, em virtude de avanços tecnológicos envolvendo os processos de extração de óleo.

A proposta de flexibilizar a rendimento dos combustíveis nos veículos tem potencial para elevar o consumo norte-americano de petróleo em 500 mil barris por dia, segundo a administração Trump.

A indústria de petróleo e gás tem feito campanha por mudanças nas políticas relacionadas a padrões de rendimento dos carros, a biocombustíveis e a carros elétricos.

Em junho, o Instituto Americano de Petróleo e outras empresas enviaram documentos a oito governadores dos EUA defendendo motores de combustão interna para carros (que utilizam gasolina ou diesel) e questionando os incentivos dados por aqueles Estados a consumidores para utilizarem carros elétricos. Fonte: Associated Press.

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