Do preço do Uber ao da carne: inflação mais controlada em janeiro?

A expectativa do mercado financeiro é que a taxa fique na faixa de 0,32%, ante avanço de 1,15% em dezembro

São Paulo — A inflação vai voltar para um terreno mais controlado no início de 2020? O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta sexta-feira 7 a inflação de janeiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Após uma aceleração no fim do ano passado, pressionada pelo preço da carne, a expectativa é que o índice tenha sido bem menor em janeiro.

O Goldman Sachs espera uma alta de 0,35%, ante avanço de 1,15% em dezembro. Já a Necton vê avanço de 0,38%. A expectativa do Top 5 do Boletim Focus, formado pelo grupo dos economistas que mais acertam, é de 0,32%.

Esta também será a primeira vez que o IBGE vai utilizar a estrutura atualizada pela edição 2017/2018 da nova Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que acompanha as mudanças nos hábitos de consumo da população. Com a atualização, 56 novos produtos e serviços passam a fazer parte do cálculo, incluindo aplicativos de transporte e serviços de streaming, como Uber e Spotify.

Entraram também na conta despesas relacionadas à vida saudável e estética, tratamento e higiene de animais domésticos e até o consumo de macarrão instantâneo. Outros itens, porém, perderam espaço ou foram excluídos, como aparelhos de DVD, assinatura de jornais e máquinas fotográficas.

Será a primeira vez também que o índice vai divulgar preços coletados por robôs virtuais. Com a inclusão dos transporte por aplicativo nos cálculos, o IBGE enfrentou o desafio de criar um monitoramento dinâmico, já que os preços de serviços com Uber variam conforme a cidade, horário e demanda.

IPCA fechou o ano passado em 4,31%, segundo o IBGE. Ficou um pouco acima da previsão dos analistas e acima do centro da meta definida pelo governo, que era de 4,25% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A alta nos preços teve um impulso sobretudo nos últimos meses do ano.

O destaque de 2019 ficou com as carnes, cuja variação acumulada no ano foi de 32,4%, com a maior parte do aumento nos preços concentrada no último bimestre (27,61%). Pesou também a alta nos planos de saúde (8,24%), por conta do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), disse o IBGE na ocasião.

Para 2020, a projeção dos especialistas de instituições financeiras ouvidos pelo último Boletim Focus, divulgado nesta quinta-feira, 6, é que a inflação fique em 3,40%. A meta do conselho monetário é de 4%. Nesta quarta-feira, o Banco Central decidiu por reduzir a Selic, taxa básica de juros, de 4,5% para 4,25%. O movimento já era previsto pelos especialistas, embora juros mais baixos, na teoria, ajudam a impulsionar o consumo — e os preços.

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