Consumo não é a melhor alavanca de crescimento, avalia CNI

A entidade estima como baixo o potencial do consumo interno liderar a retomada do crescimento do PIB em 2015

Brasília - O gerente-executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, estima como baixo o potencial do consumo interno liderar a retomada do crescimento do PIB em 2015.

"Temos observado nos últimos anos uma redução no consumo da família. Não é uma característica apenas de 2014, mostrando que apenas o consumo como uma alavanca de crescimento não é o melhor. É preciso retomar os investimentos", disse.

A entidade divulgou, nesta terça-feira, 16, a Edição Especial do Informe Conjuntural, no qual a CNI projeta queda de 0,7% no consumo em 2015, mantendo a tendência de retração verificada em neste ano, cujo recuo é de 1,4%.

"Vemos uma dificuldade de manter um ritmo de crescimento da indústria. Nos anos em que se mostrou um crescimento mais vigoroso, foram nos anos em que a indústria liderou o crescimento. Então, recuperar a capacidade da indústria é o desafio que temos pela frente", afirmou.

No documento, as projeções são negativas, o que levou o economista da CNI a definir como principal desafio do ajuste fiscal ensaiado pelo governo Dilma Rousseff a "retomada do superávit primário".

Segundo Castelo Branco, o medo de investir diante do quadro de baixo retorno sobre aplicações em estrutura industrial, de consumo menor e de baixa estimativa de crescimento do PIB (1%) está levando o empresariado a se preparar para puxar o freio em 2015.

"O empresário confiante é aquele que tem disposição e condição de investir, porque a ação de investimento requer uma ação mais confiante em relação ao futuro", disse.

O economista apontou a necessidade de "reduzir o custo de investimento" como passo importante a ser tomado pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Castelo Branco cobrou clareza no ajuste fiscal que o governo fará, o que, segundo ele, será importante para setores como o da construção se recuperarem. "Temos que ter clara as limitações fiscais que as contas públicas nos impõe", indicou.

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