Economia

Brasil piora e é o 3º país mais complexo do mundo para negócios, diz ranking

Índice Global de Complexidade aponta que país está atrás apenas de Grécia e México

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 12 de maio de 2026 às 06h01.

O Brasil é o terceiro país mais complexo do mundo para fazer negócios em 2026, aponta a nova edição do Índice Global de Complexidade de Negócios (GBCI), divulgado nesta terça-feira, 12, pela TMF Group, empresa de serviços administrativos.

A situação piorou: em 2025, o Brasil estava em sexto lugar, em uma lista que analisa 81 países e jurisdições, responsáveis por mais de 90% da economia global.

O estudo considera as exigências contábeis, tributárias e trabalhistas, entre outros indicadores, para identificar os principais fatores que impactam a operação das empresas. Veja os destaques do ranking abaixo.

Os 10 países mais complexos de 2026

  1. Grécia
  2. México
  3. Brasil
  4. França
  5. Turquia
  6. Colômbia
  7. Bolívia
  8. Itália
  9. Argentina
  10. Peru

Os 10 países e jurisdições menos complexos de 2026

  1. Ilhas Cayman
  2. Dinamarca
  3. Jersey
  4. Hong Kong
  5. Holanda
  6. Nova Zelândia
  7. República Tcheca
  8. Ilhas Virgens Britânicas
  9. Malta
  10. Curaçao

Por que o Brasil piorou?

Segundo a TMF, o Brasil tem "elevada complexidade estrutural". "Um sistema tributário multifacetado, aliado a mudanças regulatórias frequentes e a exigências rigorosas de compliance, contribui para um ambiente operacional desafiador. Isso é agravado pela existência de regras distintas e, por vezes, inconsistentes entre os níveis federal, estadual e municipal", diz o estudo. Esses entraves regulatórios afetaram etapas importantes do ciclo de negócios, como a abertura de empresas, registros e processos de licenciamento.

“Alguns entraves ligados à burocracia interna e mudanças regulatórias resultaram na perda de algumas posições, o que não é totalmente negativo, mas sim um indicativo de que a nação vem implementando transformações às quais o mercado ainda está se ajustando”, afirmou Santiago Ayerza, Country Head da TMF Group no Brasil.

Nos últimos 12 meses, a reforma tributária causou impacto direto sobre empresas estrangeiras e ajustes nas regras fiscais e cambiais. “Embora necessárias para simplificar processos, essas mudanças acabaram adicionando novas camadas de complexidade. Ainda assim, são esperadas novas alterações ao longo do ano, especialmente em áreas como contabilidade e tributos, mercados de capitais e fundos”, disse Ayerza.

Avanços brasileiros

Apesar dos desafios, o GBCI aponta avanços importantes relacionados à digitalização no Brasil. A adoção de assinaturas eletrônicas e sistemas de registros digitais tem contribuído para tornar processos mais ágeis e reduzir o trabalho administrativo.

“De forma geral, a digitalização vem trazendo ganhos significativos de eficiência para o ambiente de negócios brasileiro, ao mesmo tempo em que exige das empresas adaptação às novas dinâmicas normativas e operacionais”, afirmou Ayerza.

Acompanhe tudo sobre:BurocraciaReforma tributáriaImpostos

Mais de Economia

Passagens aéreas devem seguir mais caras pelo resto do ano, diz CEO da Latam

Brasil perdeu quase 10% das rotas aéreas e situação poderá piorar, diz entidade

Aeroportos da América Latina estão supercongestionados, diz entidade; veja quais são

Lula oficializa Otto Lobo na presidência da CVM