Economia

As relações entre Cuba e FMI

Depois de ter retomado o diálogo com os EUA, a ilha pode, no futuro, romper seu isolamento econômico, aproximando-se de antigos inimigos, como o FMI


	O presidente cubano Raúl Castro: Cuba foi um dos membros fundadores do FMI em 1944
 (Enrique de La Osa/Reuters)

O presidente cubano Raúl Castro: Cuba foi um dos membros fundadores do FMI em 1944 (Enrique de La Osa/Reuters)

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Da Redação

Publicado em 30 de janeiro de 2015 às 17h47.

Washington - Até onde irá a abertura de Cuba? Depois de ter retomado o diálogo com os Estados Unidos, a ilha comunista pode, no futuro, romper seu isolamento econômico, aproximando-se de antigos inimigos, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O FMI continua sem despertar uma boa impressão em Havana, assim como em outras capitais na América do Sul, como Caracas e La Paz, que acusam a instituição financeira de estar no comando do neoliberalismo econômico.

O ex-líder cubano Fidel Castro nunca deixou escapar uma oportunidade de atacar a entidade que considerava "sinistra", a ponto de ter chegado a sugerir sua "demolição" no início da década de 2000.

Cuba foi um dos membros fundadores do FMI em 1944, mas em 1964 se transformou no primeiro país a deixar a instituição, gesto que repetiu com o Banco Mundial.

O resultado é que Cuba faz parte do escasso grupo de países (junto com Coreia do Norte e Liechtenstein) que estão fora do circuito das duas instituições que constituem o centro do sistema financeiro internacional.

Obstáculos

Mas os tempos mudaram. O "comandante-chefe" deixou o poder, sendo substituído por seu irmão Raúl Castro.

Com isso e com o esforço do presidente americano, Barack Obama, abriu-se um canal de diálogo entre Havana e Washington. E uma nova geração de dirigentes cubanos parecem menos hostis em relação às duas instituições financeiras, de acordo com especialistas.

"Os cubanos mais jovens estão mais abertos à participação na economia global, inclusive querem fazê-lo, mas isso implica relações normais com as maiores agências internacionais, incluindo o FMI e o Banco Mundial", disse Richard Feinberg, que foi assessor do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) para a América Latina.

A economia cubana é prejudicada pelo embargo americano desde 1962, e se unir a essas instituições pode atrair investimentos estrangeiros, para tirar proveito da abertura ao turismo americano e de outros estrangeiros a sacar setores antes bloqueados.

"Pode ser uma coisa muito boa para Cuba", disse Terry Maris, ex-diretor-executivo do Centro de Estudos de Economia Cubana, da Ohio Northern University.

"Agora não há infraestrutura suficiente, que bilhões de dólares que não devem aparecer do dia para a noite. Cuba terá que ser estável para atrair investimentos estrangeiros", avaliou.

Um longo caminho

A economia cubana teve em 2014 uma expansão de apenas 1,3%, o menor crescimento desde a chegada de Raúl Castro ao poder em 2006. Mas segundo a ONU seus indicadores sociais (educação e saúde) são muito elevados.

Se unir ao FMI também não seria fácil. Cuba teria que presentar um pedido formal de adesão, fazer aportes à instituição e aceitar as obrigações dos Estados-membros", disse à AFP um porta-voz da instituição financeira.

Isso significa que Havana deve aceitar abrir sua economia e se submeter às avaliações anuais do Fundo. Até o momento, Cuba não manifestou interesse nesse sentido.

"A questão é: eles estão prontos para respeitar as regras do jogo, tornar sua economia mais transparente e aceitar a cooperação com outros países?", disse Carl Meacham, diretor do Departamento de América no Centro de Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS) em Washington.

A posição dos Estados Unidos será crucial, já que o país tem o direito de veto e é o maior acionista do FMI. Até o momento, o Departamento de Estado se nega a "especular" sobre a possibilidade de que Cuba solicite sua entrada na entidade.

Para Juan Triana, professor da universidade de Havana, "o caminho será longo" e o embargo e a decisão americana de manter Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo constituem "obstáculos" que impedirão que o FMI e o Banco Mundial "façam algo" pela ilha.

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