Economia
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Arida vê economia sobreaquecida em relação a potencial

Para o ex-presidente do BC, a pequena oferta de trabalhadores no mercado é um dos fatores que determinam esse fenômeno


	Pessoas procuram emprego: segundo Arida, a taxa de desemprego está baixa para a realidade do país
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Pessoas procuram emprego: segundo Arida, a taxa de desemprego está baixa para a realidade do país (.)

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Ricardo Leopoldo e Gustavo Porto, enviados especiais

30 de agosto de 2013, 13h49

Campos do Jordão - O ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida afirmou na manhã desta sexta-feira, 30, que a "economia brasileira está sobreaquecida, aquecida demais em relação ao seu potencial." Vários fatores determinam esse fenômeno, na sua avaliação, entre eles a pequena oferta de trabalhadores no mercado, o que leva a uma situação "maior que o pleno emprego."

Nesse contexto, ele citou que a taxa de desemprego está baixa para a realidade do País, que deveria ser entre 6,5% e 7%. "Essa seria a nossa Nairu", comentou, referindo-se à sigla em inglês que significa taxa de desemprego que não acelera a inflação.

Dois outros elementos que levam a uma economia sobreaquecida no Brasil, segundo Arida, é a política fiscal expansionista. "Os juros no Brasil são altos pela existência de vários subsídios ao crédito, como a TJLP", comentou, referindo-se à Taxa de Juros de Longo Prazo.

Um terceiro fator foi a "super indexação do salário mínimo por força de lei", o que acaba disseminando uma alta generalizada da remunerações de grande parte dos trabalhadores em toda a economia.

Arida afirmou que as expectativas de inflação estão "desancoradas", devido a vários fatores relativos à condução da economia, o que não está diretamente ligado com a gestão da política monetária pelo Copom. "A atuação do BC está correta", destacou, referindo-se ao movimento de alta de juros iniciada em abril. "O ideal seria que a política econômica como um todo deveria atuar para dar condições ao Banco Central para ter uma política monetária expansionista", destacou.

"O superávit primário deveria ser alto o suficiente para viabilizar uma política fiscal contracionista, para dar condições para o BC baixar os juros", apontou. Ele fez os comentários durante palestra no Sexto Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais realizado pela BM&FBovespa.