Ciência

Telescópio James Webb revela 'rosto de leão' esculpido por estrela moribunda

Imagem em infravermelho mostra detalhes inéditos da Nebulosa do Leão, moldada por uma anã branca há milhares de anos

Nebulosa do Leão: estruturas de gás e poeira foram registradas em detalhes pelo James Webb (NASA, ESA, CSA, STScI)

Nebulosa do Leão: estruturas de gás e poeira foram registradas em detalhes pelo James Webb (NASA, ESA, CSA, STScI)

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 08h55.

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O Telescópio Espacial James Webb registrou uma nova imagem da NGC 2392, conhecida como Nebulosa do Leão, revelando detalhes inéditos da estrutura formada após a morte de uma estrela moribunda semelhante ao Sol.

As observações em infravermelho mostram concentrações de poeira, gás ionizado e uma complexa rede de anéis e filamentos moldados por uma anã branca localizada no centro da nebulosa.

O registro, divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA) e repercutido pelo ScienceDaily, oferece uma visão mais detalhada do objeto do que as imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble em 2000.

Como surgiu a Nebulosa do Leão?

A Nebulosa do Leão é uma estrutura de gás e poeira formada quando estrelas de baixa massa chegam ao fim da vida, sendo classificada como uma planetária.

Quando essas estrelas deixam de sustentar as reações nucleares em seus núcleos, passam a expelir suas camadas externas para o espaço. O material ejetado forma uma concha em expansão ao redor do núcleo remanescente, que se transforma em uma anã branca extremamente quente.

Na NGC 2392, essa anã branca continua emitindo intensa radiação, que aquece, ioniza e empurra o gás ao redor, esculpindo o formato que lembra o rosto de um leão.

O que o James Webb revelou?

As câmeras de infravermelho NIRCam e MIRI permitiram observar estruturas que permaneciam ocultas na luz visível.

Além de revelar regiões densas de poeira, o Webb mostrou que a "juba" do leão é formada por aglomerados compactos que resistiram à intensa radiação da estrela central.

Esses blocos de poeira também protegem o material localizado atrás deles, criando estruturas alongadas semelhantes a tufos de cabelo ou caudas de cometas.

Os pesquisadores também observaram uma complexa rede de anéis e conchas de gás, cuja formação ainda não é totalmente compreendida.

Nebulosa continuará mudando

Embora a imagem registre um momento específico da evolução da nebulosa, o processo está longe de terminar.

O gás e a poeira continuarão se afastando da anã branca ao longo dos próximos milhares de anos, alterando gradualmente sua aparência. Os astrônomos estimam que a Nebulosa do Leão deverá se dispersar completamente em cerca de 10 mil anos, um intervalo considerado relativamente curto em escala astronômica.

Os resultados reforçam que as novas observações ajudam os pesquisadores a entender melhor como estrelas semelhantes ao Sol encerram seus ciclos de vida e como enriquecem o Universo com gás e poeira que poderão dar origem a futuras gerações de estrelas e planetas.

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