Buraco negro: descoberta revelou um raro objeto supermassivo vagando longe do centro de sua galáxia (Freepik)
Redatora
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 08h23.
Astrônomos descobriram um buraco negro supermassivo "errante" localizado a cerca de 30 mil anos-luz do centro de sua galáxia, uma posição considerada inédita para um objeto desse tipo. Invisível por estar adormecido, ele só foi identificado depois de destruir uma estrela que passou perto demais, produzindo um intenso clarão detectado por telescópios.
A descoberta, publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, representa a primeira detecção de um buraco negro supermassivo inativo tão distante do núcleo de uma galáxia e pode mudar a forma como os cientistas procuram esses objetos pelo Universo.
Pesquisadores da Universidade de Maryland explicam que o buraco negro permaneceu oculto porque não estava consumindo matéria ao seu redor, condição que impede a emissão de luz. A única pista de sua existência surgiu quando uma estrela passou suficientemente perto para ser despedaçada por sua intensa gravidade, em um fenômeno conhecido como evento de ruptura de maré.
A descoberta começou com observações realizadas pelo projetoZwicky Transient Facility (ZTF), que monitora continuamente o céu do hemisfério norte em busca de fenômenos astronômicos transitórios.
Como o observatório registra centenas de milhares de eventos a cada noite, os pesquisadores desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de identificar o padrão luminoso característico das rupturas de maré.
O programa entrou em operação em agosto de 2025 e, apenas três meses depois, encontrou o sinal que levou à descoberta do buraco negro errante.
Até agora, os astrônomos acreditavam que buracos negros supermassivos estivessem praticamente sempre localizados nos centros de galáxias massivas. O novo objeto desafia essa ideia ao ser encontrado muito distante do núcleo galáctico.
Além disso, ele possui massa comparável à do buraco negro localizado no centro da Via Láctea, mas aparentemente não está cercado por uma galáxia visível, o que tornou sua localização ainda mais surpreendente.
Para constatar porque o buraco negro foi parar tão longo, os pesquisadores trabalham com duas hipóteses principais. A primeira sugere que ele seja o núcleo remanescente de uma pequena galáxia que foi absorvida por outra maior. Nesse processo, quase todas as estrelas da galáxia original teriam sido arrancadas, restando apenas o buraco negro e uma pequena concentração de matéria.
A segunda hipótese envolve uma interação gravitacional entre três buracos negros supermassivos. Nesse cenário, durante a fusão entre galáxias, um dos objetos teria sido lançado para longe do centro galáctico, passando a vagar pelas regiões externas.
Novas observações poderão ajudar a determinar qual dessas explicações é a correta.
Os cientistas acreditam que esse pode ser apenas o primeiro de muitos buracos negros supermassivos errantes ainda desconhecidos.
Como a maioria desses objetos permanece adormecida e praticamente invisível, eles costumam escapar das observações convencionais. A combinação de levantamentos automáticos do céu com inteligência artificial poderá facilitar a identificação de novos casos.
Segundo a equipe, observatórios de nova geração, como o Vera C. Rubin, deverão ampliar significativamente esse tipo de busca e permitir a descoberta de dezenas ou até centenas de buracos negros errantes nos próximos anos, ajudando a compreender melhor como galáxias e seus buracos negros evoluem ao longo do tempo.