Saiba como é o trabalho de um pesquisador de tecnologia na IBM

INFO conversou com o diretor do laboratório de tecnologia da IBM Brasil Ulisses Mello, que explicou por que essa carreira é uma das mais promissoras no país

Trabalhar com tecnologia não significa apenas ser um analista ou desenvolvedor de TI em uma empresa. Afinal, por trás de tanta inovação que essa área traz existem pessoas responsáveis pelos testes, pesquisas e análises que ajudaram desde a chegada do homem à lua até o surgimento da internet.

Ulisses Mello é uma dessas pessoas. Diretor do laboratório de pesquisas da IBM Brasil, ele é apaixonado por ciência e tecnologia desde criança e hoje trabalha para criar soluções de impacto na sociedade junto com sua companhia.

Mello, que está na profissão há mais de 20 anos, conta a INFO que esse setor está em expansão no Brasil, já que ele é responsável também por impulsionar negócios e fomentar o empreendedorismo.

Segundo dados divulgados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI) em novembro de 2013, foram contabilizados 41 317 pesquisadores trabalhando na área empresarial até o ano de 2010, e a tendência é que esse número cresça ainda mais.

Resolver problemas, criar novas soluções e ajudar o mundo inteiro com projetos inovadores são algumas das responsabilidades de quem se torna um pesquisador.

Além disso, Mello aponta que existem inúmeras vantagens em investir nessa carreira, que vão desde melhores salários até o contato com outros profissionais da área do mundo inteiro para viabilizar projetos.

Graduado em geologia pela Universidade de São Paulo, Ulisses Mello tem mestrado nessa mesma área pela Universidade Federal de Ouro Preto e se tornou Ph.D. em geologia pela Columbia University, nos Estados Unidos. Em 1998, ele recebeu o prêmio “Wallace Pratt” da Associação Americana dos Geólogos de Petróleo.

Na conversa a seguir, Mello explica a INFO como é ser pesquisador em um laboratório de tecnologia no Brasil:

Como é o seu trabalho?

Sou responsável pelo desenvolvimento de estratégias de Pesquisa & Desenvolvimento e inovação em parcerias com universidades, clientes e agências do Laboratório de Pesquisas da IBM Brasil.

Tenho uma função executiva e técnica participando ativamente de reuniões e conferencias em que discutimos o futuro de ciência e novas tecnologias e como estas podem ajudar a solucionar problemas da sociedade e de negócios.

Desde quando você atua nessa área?

Estou na IBM há 20 anos. Antes disso comecei minha carreira de pesquisador na Petrobrás e, posteriormente, me juntei ao IBM T.J Watson Center, nos Estados Unidos, onde trabalhei nas áreas de Ciências Físicas e Matemáticas, Business Analytics e Ciências Matemáticas como gerente de Análises de Petróleo e Energia. 

Antes de assumir a direção do Lab no Brasil, eu atuei como líder mundial de Recursos Naturais da Divisão de Pesquisa da IBM, que inclui as indústrias de petróleo, mineração e agricultura.

Como você escolheu se tornar um pesquisador?

A principal razão da minha escolha foi saber que a ciência pode impactar positivamente muitas questões da sociedade e promover mudanças. A chegada do homem a lua, em 1969, ainda na minha infância, inspirou e influenciou a minha decisão de seguir a carreira de cientista/pesquisador por entender a importância desse fato na sociedade.

Outros pontos que contribuíram para a minha decisão foram o fato de eu gostar de estudar – cientistas nunca param os estudos – e por não ter uma rotina pré-definida.

Sempre estamos envolvidos em diferentes projetos que trazem diferentes problemas a serem solucionados. Ainda hoje, após mais de 20 anos de profissão, sinto que continuo motivado pela profissão baseado nos motivos que me levaram a ela.

O que é preciso para se tornar um pesquisador? Que competências o profissional deve desenvolver?

A principal característica de um pesquisador é a curiosidade. Um pesquisador normalmente não fica satisfeito sem o entendimento do seu ambiente e quer sempre saber como as coisas funcionam.

Posso citar um exemplo simples que é a energia elétrica. Se a pessoa se satisfaz em saber que a luz acende porque ela aciona o interruptor, então ela não tem perfil para área. Se ela quer entender como esta energia elétrica chega até a sua casa, ou com a luz funciona, ela já está mais próxima da profissão.

Outro fator é a habilidade analítica, que é a capacidade de decompor algo para recompor de maneira totalmente diferente. Significa segmentar o problema para reconstruí-lo de maneira inovadora.

Por fim, acredito que é necessário saber trabalhar com metodologia científica. Por isso, é tão importante a formação acadêmica de mestrado e doutorado que fornecem o treinamento necessário para esta atividade profissional.

Quais os maiores desafios enfrentados por um pesquisador no Brasil?

O Brasil está crescendo cada vez mais na área da inovação, mas isso ainda não é tradição se o compararmos a outros países. Por isso, muitas vezes o próprio mercado brasileiro tem uma percepção de inferioridade de descobertas realizadas aqui.

Eu já trabalhei muitos anos em pesquisa no exterior e posso afirmar que nossos pesquisadores têm nível compatível com os estrangeiros. É mais uma questão de mudança cultural e desenvolvimento de massa crítica e ecossistema.

Outra questão complicada é o pré-conceito de segmentação de tipo de pesquisa que é desenvolvido pelas empresas e pelas universidades. Muitos acreditam que somente as universidades podem desenvolver pesquisa fundamental e as empresas desenvolvem pesquisa aplicada, mas isso não é uma verdade fechada. O processo contrário acontece e tem resultados excelentes.

Localmente, temos problemas localizados de infraestrutura e nosso ecossistema de pesquisa também é menos eficiente na velocidade de trazer inovação para o mercado quando comparamos a outros países.

Que oportunidades de carreira um profissional teria ao se tornar pesquisador em um laboratório de tecnologia?

Um pesquisador dentro do laboratório da IBM pode seguir diversos caminhos, desde uma carreira tradicional de pesquisador com níveis júnior, pleno e sênior até ser especialista em determinadas áreas, gerenciar times técnicos, liderar o desenvolvimento profissional de outros pesquisadores mais jovens, trabalhar com alianças estratégias de pesquisa e fazer o gerenciamento de propriedade intelectual (patentes).

No entanto, uma das maiores oportunidades ao trabalhar em um laboratório de pesquisa privado inserido em uma cadeia de valor, como o da IBM, é o cientista poder conferir na pratica o resultado da sua pesquisa, ou seja, no mundo real. Em pesquisas de universidades isso é mais raro.

Como a IBM pretende incentivar os estudantes a seguirem carreira em TI ou ciência?

A IBM já possui uma série de programas para aproximar jovens e a atividade de pesquisa.

Nossos pesquisadores visitam escolas para dar palestras. Trazemos alunos de escolas do Ensino Médio para visitar nosso laboratório, nossos filhos são incentivados a conhecer nosso ambiente de trabalho, temos estagiários na área de pesquisa e também disseminamos nossas descobertas para inspirar talentos a trabalharem conosco.

Como estão as oportunidades de emprego para quem segue nesse ramo?

Estão em expansão, já que o Brasil entrou na  rota de inovação das companhias globais nos últimos anos e está recebendo investimento de diversas empresas de tecnologia para instalação de centros de P&D.

Esta movimentação, inclusive, fez com que o número de oportunidades de emprego em empresas privadas crescesse significativamente. Segundo o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 41 317* pesquisadores atuam no país na área empresarial.

* Dados divulgados em novembro de 2013

E os salários?

Em virtude da demanda, os salários tentem a ser acima da média comparado a outras profissões e devem aumentar cada vez mais.

Houve um aumento no número de profissionais interessados em seguir essa área? Você teria algum número para citar?

Sim, hoje em média a concorrência para uma vaga no Laboratório de Pesquisa da IBM é de até 100 candidatos por vaga. Isso era bem diferente na época em que comecei, quando buscávamos oportunidade no exterior porque aqui elas eram muito escassas.

A IBM pretende contratar mais pesquisadores? Há oportunidades em aberto para quem quiser se candidatar?

Sim, e a previsão é de que o laboratório continue expandindo sua equipe pelos próximos meses nas unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os interessados podem se candidatar em nosso site e concorrer a uma vaga para trabalhar conosco.

Agora veja 8 motivos para você escolher a carreira de pesquisador de tecnologia no Brasil:

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