Ciência

Pessoas negras têm 2x mais risco de contrair covid-19, aponta estudo

Estudo feito nos Estados Unidos e Inglaterra sugere que população negra e asiática é mais vulnerável; especialistas discutem racismo estrutural

Coronavírus: pessoas negras e asiáticas estão mais vulneráveis; chegada do inverno nos EUA preocupa (Diego Vara/Reuters)

Coronavírus: pessoas negras e asiáticas estão mais vulneráveis; chegada do inverno nos EUA preocupa (Diego Vara/Reuters)

KS

Karina Souza

Publicado em 16 de novembro de 2020 às 18h59.

Última atualização em 16 de novembro de 2020 às 19h23.

Pessoas negras têm duas vezes mais risco de serem infectadas pelo novo coronavírus, em comparação com pessoas brancas, segundo pesquisadores das universidades de Leicester e Nottingham, que analisaram dados de mais de 18 milhões de pacientes, em 50 estudos realizados no Reino Unido e nos EUA.

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Apesar da maior suscetibilidade, não há uma taxa de mortalidade maior entre negros. Por outro lado, os pesquisadores constataram que as pessoas de origem asiática têm, sim, maior probabilidade de apresentarem quadros graves de covid-19 - têm 1,5x mais chances do que pessoas brancas de se infectarem, em relação a pessoas brancas. O trabalho foi feito pela EClinical Medicine e publicado na revista científica The Lancet. 

No entanto, os pesquisadores não conseguiram identificar os motivos pelos quais os negros estão mais propensos ao contágio e os asiáticos têm maior risco de casos graves de infecção pelo novo coronavírus. A hipótese apontada por eles é uma somatória de fatores, como atuar em serviços essenciais ou morar com muitas pessoas em uma mesma residência. A genética não teve nenhuma influência nisso, ou, ao menos, não há evidência de que haja uma ligação.

Os pesquisadores esperam que o estudo ajude a orientar entidades de saúde e formuladores de políticas públicas na priorização de pessoas para receber uma imunização, quando disponível.

A pesquisa completa outro estudo, também divulgado hoje, a respeito da possibilidade de contrair gripe e coronavírus ao mesmo tempo. De acordo com os dados, estes, apurados pelo Departamento de Saúde de Serviços Sociais do condado de Solano, na Califórnia. Nos caso identificado por eles, o paciente coinfectado conseguiu sobreviver - de qualquer forma, o tema não deixa de ser prioridade, com a chegada do inverno nos EUA.

Com foco neste tópico, em coletiva realizada hoje, o presidente eleito Joe Biden afirmou que apoia um pacote de estímulo econômico robusto, como o projeto de 3 trilhões de dólares que os democratas da Câmara aprovaram no início deste ano. De olho nos efeitos adversos da pandemia, Biden fisse que licença médica e dinheiro para creches são a prioridade do momento, argumentando que as pessoas não deveriam ter que escolher entre trabalhar e cuidar de outras pessoas.

No Brasil

No país, uma pesquisa conduzida pelo Instituto Pólis em julho mostrou que a população negra tem índice de mortalidade superior ao da branca por covid-19. Novamente, as piores condições de vida e a desigualdade social foram apontadas como fatores importantes para essa disparidade.

Em relação às medidas de prevenção da doença, a cidade de São Paulo teve a reclassificação da quarentena adiada graças ao "apagão" dos dados, ocorrido na última semana. Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen, são necessárias duas semanas de atualização de dados de forma regular para fazer uma nova avaliação do isolamento social na cidade.

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