O que causa os raros coágulos sanguíneos em algumas vacinas da covid-19?

Casos de coágulos sanguíneos são extremamente raros e aconteceram com vacinas de Oxford e da Johnson & Johnson

Nesta última semana, a vacinação nos Estados Unidos contra o coronavírus com o imunizante da Johnson & Johnson foi interrompida após seis casos de coágulos sanguíneos serem registrados. O acontecimento é semelhante ao da Europa no último mês: 222 casos foram registrados para 34 milhões de doses aplicadas da vacina da Oxford com a AstraZeneca, em 30 países diferentes.

Os números mostram que os coágulos sanguíneos são raros. No caso da vacina da Johnson & Johnson, foram encontrados 6 casos após quase 7 milhões de doses administradas, isto é, menos de 1 caso por milhão ou taxa de 0,0001%. Para a vacina da AstraZeneca, a ocorrência foi de 1 caso a cada 250.000, ou taxa de 0,0004%.

Em comparação, a taxa de ocorrência de trombose associada ao risco de fumar é de 1.763 casos por milhão, isto é, cerca de 0,18%. Para mulheres que usam anticoncepcional oral, o risco de desenvolver tromboembolismo venoso é 4 a 6 vezes maior do que as que não fazem uso do remédio.

No Brasil, foram registrados 47 casos para 4 milhões de doses administradas da vacina de Oxford. A Anvisa afirmou em nota que o risco é "baixíssimo", mas que cidadãos devem ir ao médico caso os seguintes sintomas persistam: falta de ar, dor no peito, inchaço na perna, dor abdominal persistente, dores de cabeça fortes e persistentes ou visão turva, entre outros.

“Reforça-se que a maioria dos efeitos colaterais que ocorrem com o uso da vacina são de natureza leve e transitória, não permanecendo mais do que poucos dias", esclareceu a Anvisa. A vacina de dose única da J&J foi recentemente aprovada pelo órgão.

O que foi observado até agora?

A síndrome do coágulo sanguíneo envolve um tipo incomum de coágulo que normalmente se forma no cérebro, chamado de trombose do seio venoso cerebral (ou CVST). Com ela, juntam-se baixos níveis de plaquetas, pequenas partículas no sangue que se unem para formar coágulos.

Por enquanto, ela foi observada principalmente em mulheres com menos de 60 anos. Nos casos de CVST pela Johnson & Johnson, um dos quais foi fatal, todos foram em mulheres com idades entre 18 e 48 anos.

Porém, a diferença entre os sexos pode ser por conta de mais mulheres terem sido vacinadas até então. Em uma análise de 79 casos no Reino Unido, a taxa foi a mesma entre homens e mulheres que receberam o imunizante de Oxford, de acordo com presidente da Comissão de Medicamentos Humanos do país. Lá, a taxa geral foi de quatro casos a cada milhão de pessoas que receberam a vacina.

Ainda não se sabe por que parece que os jovens estão mais suscetíveis a desenvolver os coágulos. Alguns países, como Portugal e a Alemanha, recomendaram ou proibiram por precaução a aplicação da vacina da Oxford em menores de 60 anos. A ideia não é só pelo indício de que idosos têm menos chance de desenvolverem CVST, como também porque os benefícios de ser imunizado contra a covid-19 superam os riscos observados até então.

O que pode estar causando os coágulos?

Nos casos da vacina de Oxford, muitos dos afetados tiveram resultados positivos para anticorpos que se ligam a uma molécula liberada pelas plaquetas, chamada de fator plaquetário 4 ou PF4. Especialistas teorizam que, ao aplicar o imunizante, ele desencadea a produção de anticorpos que causam a formação de pequenos coágulos no sangue.

Há indícios em estudos em ratos que o DNA pode se ligar ao PF4, levando a formação de anticorpos e coágulos sanguíneos. Isso também explicaria por que o efeito só foi visto em vacinas baseadas em adenovírus contendo DNA.

“O que estamos vendo com a vacina Johnson & Johnson é muito semelhante à vacina AstraZeneca”, disse Marks. “A causa provável, podemos especular, é um mecanismo semelhante que pode estar acontecendo com a outra vacina de vetor adenoviral”.

Recentemente, agências de saúde de alguns países passaram a recomendar novas diretrizes que pedem um teste para anticorpos plaquetários para pessoas que apresentam sintomas sugestivos de coagulação até duas semanas após a aplicação da primeira dose. Caso dê positivo, os pacientes devem receber o mesmo tratamento de pessoas com heparina, raro efeito colateral cuja recuperação é feita de forma diferente da de coágulos sanguíneos comuns.

 

 

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