Ciência

Detox de redes sociais pode influenciar sua saúde mental

Meta está entre as principais resoluções de ano novo e afeta diretamente a ansiedade, depressão e insônia

Celular: uso desenfreado pode causar mal-estar e arrependimento. (Montagem com elementos Canva)

Celular: uso desenfreado pode causar mal-estar e arrependimento. (Montagem com elementos Canva)

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 19h41.

A meta de diminuir o tempo de tela tem ganhado espaço entre as metas de virada de ano, superando até objetivos tradicionais como emagrecer ou beber menos.

A proposta do detox digital inclui reduzir o uso de redes sociais ou adotar períodos regulares sem o uso de celulares e outros dispositivos.

Segundo o Wall Street Journal, uma pesquisa do aplicativo de bem-estar digital Opal revelou que 33% dos 1.306 entrevistados apontaram a redução do tempo de tela como principal meta para o novo ano. O índice supera os 28% que disseram ter como prioridade a perda de peso.

Adolescentes aderem e estudos apontam melhora na saúde mental

O movimento tem ganhado força entre os mais jovens. Dados do Digital Wellness Lab, ligado ao Hospital Infantil de Boston, indicam que 63% dos adolescentes reconhecem exagerar no uso do celular. Entre eles, 47% já utilizam ferramentas para tentar controlar o hábito.

Uma das pesquisas mais recentes sobre o tema foi publicada na revista científica JAMA Network Open. O estudo acompanhou cerca de 400 jovens adultos, entre 18 e 24 anos, que passaram por uma semana de restrição no uso das redes sociais, após um período inicial de monitoramento.

Ao final do experimento, os resultados mostraram uma redução de 25% nos sintomas de depressão, 16% na ansiedade e 14% nos relatos de insônia. Os níveis de atividade física, no entanto, não apresentaram variação significativa.

O psiquiatra John Torous, diretor da divisão de psiquiatria digital do Beth Israel Deaconess Medical Center, afirmou ao jornal que o estudo buscou superar limitações comuns de pesquisas anteriores, que se baseiam apenas em relatos subjetivos.

“Parece que as pessoas usaram o tempo fora das redes para fazer outras coisas no celular”, disse. “Isso reforça a ideia de que nem todo tempo de tela é igual.”

Celular trocado por rotina mais significativa

O estudante Andy Liu, de 19 anos, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, é um exemplo de mudança radical. Há alguns meses, ele se juntou ao coletivo Appstinence, que incentiva o abandono de tecnologias consideradas viciantes.

Liu apagou as contas em redes sociais, trocou o smartphone por um celular simples e passou a usar a internet apenas para estudar ou em casos pontuais. “Não estou completamente offline, mas agora meu foco é encontrar atividades que façam sentido para mim”, afirmou.

Segundo ele, a mudança permitiu retomar hobbies, começar a cozinhar e praticar mais exercícios.

Moderação, não abstinência total

Especialistas alertam que a proposta não exige cortes radicais. “Pode ser uma experiência excelente. Algumas famílias fazem isso toda semana, passando o sábado ou o domingo sem telas”, disse David Bickham, diretor de pesquisa do Digital Wellness Lab.

Bickham diz que o impacto das redes sociais varia conforme o tipo de uso. Manter contato com amigos costuma gerar senso de pertencimento, enquanto interações com desconhecidos tendem a causar solidão. “Faz todo sentido que, ao se sentir solitário, alguém vá buscar conexão online.”

A médica Sajita Setia, pesquisadora dos efeitos do tempo de tela na saúde mental, acrescenta que o design das plataformas dificulta o controle do usuário. “Não se trata de força de vontade ou autocontrole. A verdade é que nunca venceremos a tecnologia.”

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