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Qual é o drinque da moda em 2023?

Sempre vai existir um ou dois coquetéis do momento, já que as pessoas estão eventualmente atrás de outros sabores, novas experiências e, principalmente, de um novo comportamento

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Quer uma boa experiência? Desafie seu bartender favorito. (Oleg Breslavtsev/Getty Images)

Quer uma boa experiência? Desafie seu bartender favorito. (Oleg Breslavtsev/Getty Images)

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*Alexandre D’Agostino

Publicado em 12 de fevereiro de 2023 às, 08h00.

Na coluna passada falei em como os filmes e as séries podem exercer uma influência no aumento do consumo de uma bebida ou drinque, e até ditar uma mudança de comportamento.

Hoje em dia é brutal o impacto de um streaming no modo de viver e pensar das pessoas. E puxando alguns exemplos aqui, voltamos para o título: qual é o drinque da moda?

Semanas após a estreia da série “O Gambito da Rainha”, a pesquisa por tabuleiros de xadrez em um site aumentou em 273%. Em outro, de jogos de xadrez online, foram mais de 2,8 milhões de novos membros inscritos. A badaladíssima série sul-coreana “Round 6”, vista por 142 milhões de pessoas apenas no primeiro mês, ao que parece, fez com que a marca de tênis de um personagem refletisse um aumento na casa de 8.000% nas vendas. Surreal?

Tanto o xadrez que foi inventado, em meados do século XV e o modelo de tênis em questão - um clássico há pelo menos 40 anos – estavam aí para quem quiser há bastante tempo. O que pode mudou então? A motivação para a procura.

Então sim, existe drinque da moda. Sempre vai existir um ou dois coquetéis do momento, já que as pessoas estão eventualmente atrás de outros sabores, novas experiências e, principalmente, de um novo comportamento. Mas será que são necessariamente tão novos esses sabores? A experiência pode ser que sim, mas o conceito por trás dos drinques talvez seja como o xadrez ou o clássico tênis slip-on branco, estão aí há bastante tempo.

Despontando desde 2019, o Fitzgerald se tornou uma constante nos bares e em restaurantes. Percebo uma tendência por bebidas práticas, fáceis de beber e mais levinhas, porém ainda com certo grau de complexidade no sabor. Ponto para o Fitz! Particularmente não é meu estilo de drinque, não sou muito fã dos cítricos. Mas reconheço o seu sucesso.  (Aqui, vale lembrar que o drinque nada tem a ver com o sobrenome do escritor boêmio e amante de gin, F. Scott Fitzgerald, e tampouco com a Grande Dama do Jazz, Ella Fitzgerald).

Ele é feito com gin, suco de limão, açúcar e finalizado com bitter aromático. Foi criado no final dos anos 90 por Dale DeGroff, um dos papas da coquetelaria moderna, ou seja, nada novo.

Na primeira década dos anos 2000 veio o boom do gin tônica, que também não era uma revelação inédita. Soldados ingleses misturavam gin com um tônico a base de quinino como remédio contra malária no século IXX na Índia. Depois veio com tudo a febre do Negroni, outro “jovem” nascido em 1919… Se continuarmos, perceberemos que estamos bebendo as mesmas coisas desde a descoberta do Brasil em termos de conceito e estrutura. Ou seja, vivemos em ciclos.

Voltando ao Gambito da Rainha. Para alguns, xadrez pode ser considerado chato e pouco emocionante a primeira vista. Mas não quando uma jogadora super cool (diferente dos drinques cítricos, eu sou fã da Anya Taylor Joy, e da personagem) começa a ganhar de um monte de marmanjos experientes e mostra que jogadores de xadrez também podem ser legais.

E o Fitz? Eu acho que sempre dá pra atualizar a receita, deixar menos óbvia, trocar o destilado, o elemento que adoça, o cítrico, o amaro ou mesmo adicionar um vermute branco…  Diversas possibilidades, desde que se entenda a estrutura da bebida.

Aconteceu com todos os drinques que citei, e muitos outros que vamos ainda falar. Quer uma boa experiência? Desafie seu bartender favorito. O conceito do Fitz é simples, mas as possibilidades são inúmeras. Já o tênis slip-on eu sempre gostei, tendência ou não, e  vou continuar usando, só não sei se na cor branca.

E qual eu acho que é a próxima tendência? Vou dar uma olhada no meu guarda roupa e conto para vocês depois.

*Alexandre D’Agostino é um dos fundadores da Apothek Cocktails & Co. Bartender premiado. Atualmente é sócio da APTK Spirits marca de coquetéis engarrafado. As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião de Exame.

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