Obra de Machado de Assis é reescrita para facilitar leitura

Segundo jornal, escritora Patrícia Secco lançará livros do autor com uma linguagem mais “palatável” para captar jovens. Ideia gerou polêmica

	Projeto incomodou muita gente e ficou entre os tópicos brasileiros mais mencionados no Twitter
 (inner_vision/Flickr)
Projeto incomodou muita gente e ficou entre os tópicos brasileiros mais mencionados no Twitter (inner_vision/Flickr)
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Luciana CarvalhoPublicado em 05/05/2014 às 14:43.

São Paulo – Para incentivar os jovens a ler as obras dos principais autores da literatura brasileira, uma escritora criou um projeto controverso. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, Patrícia Secco lançará em junho uma versão do livro “O Alienista”, de Machado de Assis, com linguagem mais fácil, frases diretas e palavras comuns.

O plano abarca trabalhos de outros grandes autores, como José de Alencar, cujo livro “A Pata da Gazela” também será lançado em junho. A verba para colocar a ideia em prática veio de patrocínio da lei de incentivo, com autorização do Ministério da Cultura.

Se Patrícia conseguir captar mais dinheiro, outros títulos poderão ser “mastigados”, como “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, e “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida.

Segundo a Folha, ela alega que, apesar de a linguagem ser descomplicada, o estilo dos autores não será modificado. Os 600 mil exemplares dos livros que sairão no próximo mês devem ser distribuídos gratuitamente pelo Instituto Brasil Leitor.

Mesmo com a intenção de popularizar a leitura, a ideia gerou polêmica nas redes sociais. No Twitter, o tema foi parar nos “trending topics” do Brasil, nesta segunda-feira, com alguns defensores e muitos críticos ferrenhos.

Entre os defensores, o argumento é de que o gosto pela leitura poderá ser estimulado. Já quem não gostou da ideia afirmou que adaptar uma obra dessa forma não aprimora os conhecimentos do leitor, que pode recorrer ao dicionário, e ainda prejudica o trabalho do autor original.