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O documentário em que Elizabeth Holmes decidiu contar sua versão

Documentário codirigido pelo comediante e por Lance Oppenheim acompanha a fundadora da Theranos antes da prisão e estreia nos cinemas americanos nesta sexta-feira (16)

Elizabeth Holmes com o filho em cena de 'You Can See Everything', filmado nas semanas anteriores à prisão da fundadora da Theranos (A24/Divulgação)

Elizabeth Holmes com o filho em cena de 'You Can See Everything', filmado nas semanas anteriores à prisão da fundadora da Theranos (A24/Divulgação)

Gustavo Frank
Gustavo Frank

Jonalista colaborador

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 10h00.

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Durante quase uma década, Elizabeth Holmes ficou de fora das produções que reconstituíram a queda da Theranos. Ela não participou do livro Bad Blood, de John Carreyrou, nem do documentário The Inventor, da HBO, nem da minissérie The Dropout, do Hulu, que rendeu um Emmy a Amanda Seyfried. Às vésperas de começar a cumprir pena, em 2023, a empresária fez o caminho inverso e procurou a A24 para propor um filme sobre ela mesma.

O resultado é You Can See Everything, que chega aos cinemas dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 16 de outubro. A direção ficou com Nathan Fielder, conhecido pelo humor desconcertante de Nathan for You e The Rehearsal, e com o documentarista Lance Oppenheim, em um trabalho que levou três anos para ficar pronto e chega às telas com quase três horas de duração.

Um convite recebido com desconfiança

Conversa na casa alugada em San Diego onde Holmes vivia com a família antes de se apresentar a um presídio federal no Texas (A24/Divulgação)

Fielder e Oppenheim aceitaram o projeto depois de uma série de reuniões com a própria Holmes, segundo relato dos diretores em uma sessão, em Los Angeles, publicado pela Hollywood Reporter. No debate após a estreia em Telluride, o comediante contou que tinha lido Bad Blood e, de início, achava que restava pouco a dizer sobre o caso, de acordo com a cobertura da agência Tribune News Service. Segundo a Deadline, a A24 deu à dupla a liberdade de jogar todo o material fora se o projeto não rendesse.

As gravações começaram 34 dias antes de Holmes se apresentar a um presídio federal no Texas, em uma casa alugada em San Diego onde ela vivia com o companheiro, Billy Evans, e os dois filhos do casal. Pouco antes, em maio de 2023, Holmes havia dado uma entrevista ao New York Times, publicada com o título Liz Holmes Wants You to Forget About Elizabeth. De acordo com o Boston.com, o documentário retoma essa reportagem diversas vezes, e o casal questiona no filme a forma como foi citado, enquanto o jornal mantém o que publicou.

Com Holmes já presa, o acesso dos diretores encolheu, e Evans, que passou a cuidar da conta dela no Twitter e assumiu uma procuração sobre suas decisões, virou o principal elo entre a equipe e a empresária, como relatou a Tribune News Service. Conversas que não puderam ser filmadas foram recriadas em cena, segundo a NBC News. O próprio Fielder admitiu à plateia de Telluride que ainda tenta entender o que viveu durante as filmagens.

Repercussão no Vale do Silício

A exibição surpresa no Festival de Telluride, em 6 de setembro, movimentou o setor de tecnologia, como mostrou a NBC. Holmes foi condenada em 2022 por enganar investidores em centenas de milhões de dólares e absolvida das acusações de fraude contra pacientes. Em entrevista à emissora, Aron Solomon, diretor de estratégia da Amplify, disse que o filme pode ajudar a entender o perfil de fundadores que viram celebridades muito jovens, lembrando quantos nomes de listas de promessas com menos de 30 anos acabaram respondendo a processos desde então.

A data de estreia demorou a ser oficializada. Segundo a Deadline, a A24 só confirmou o lançamento em 16 de outubro semanas depois de Telluride, quando a Bleecker Street já havia antecipado para 9 de outubro Musk, documentário de Alex Gibney sobre Elon Musk que também tem perto de quatro horas. Na ocasião, o estúdio ainda não havia definido se o filme abriria em poucas salas ou em circuito amplo.

O filme passou pelo Festival de Nova York e foi selecionado para a competição do IDFA, em Amsterdã. A Variety confirmou que a A24 vai fazer campanha por uma indicação a Melhor Filme no Oscar, categoria em que nenhum documentário jamais concorreu. O estúdio também tem pedido à imprensa que trate o longa como documentário, sem o rótulo de híbrido. No Reino Unido e na Irlanda, a estreia está marcada para 20 de novembro.

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