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Marvel aposta em um novo Homem-Aranha multirracial

Editora de quadrinhos já tinha discutido a ideia de criar um Homem-Aranha afro-americano antes de criar o herói Miles Morales, que substitui Peter Parker

O novo encarregado de proteger Nova York, um menino de pele negra, foi desenhado por Sara Pichelli, Salvador Larroca e Calyton Crain (Divulgação)

O novo encarregado de proteger Nova York, um menino de pele negra, foi desenhado por Sara Pichelli, Salvador Larroca e Calyton Crain (Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 18 de janeiro de 2012 às 05h21.

Nova York - Miles Morales, o novo Homem-Aranha filho de uma portorriquenha e de um afro-americano que vive no bairro nova-iorquino do Brooklyn, é o reflexo da diversidade étnica dos Estados Unidos, um país que desde 2008 tem como presidente, assim como o novo super-herói, um produto da mistura racial.

'Quando Barack Obama foi eleito presidente muita gente comemorou o fato de um presidente afro-americano. Eu vi Obama como o produto de uma mistura de raças e para mim é o mesmo com Miles', afirmou recentemente em entrevista à Agência Efe o editor-chefe da Marvel, Axel Alonso, ao se referir à origem hispânica e afro-americana de Morales.

Alonso explicou que quando a empresa decidiu transformar Miles Morales em um super-herói o fez 'sabendo que tinha de ser espelho da diversidade cultural do país', o que causou uma grande agitação na comunidade hispânica, após o lançamento no dia 3 de agosto do ano passado do quarto número de 'Ultimate Comics Fallout'.

Ele lembrou que a equipe de trabalho da Marvel já havia discutido anteriormente a ideia de criar um Homem-Aranha afro-americano.

'Ainda não tínhamos a história' para respaldar o nascimento do novo personagem, argumentou Alonso, filho também de um mexicano e de uma britânica que cresceu em São Francisco (Califórnia), e que há um ano foi nomeado editor-chefe da Marvel em substituição a Joe Quesada, que continua sendo o principal responsável criativo da editora.

Alonso foi alçado em 2010 a um dos postos de vice-presidente da editora - onde entrou no ano 2000 - para trabalhar na busca de 'novas vozes e reinventar os grandes personagens, como Homem-Aranha, X-Men e Wolverine'.

Durante uma reunião com sua equipe na qual discutiam a morte de Homem-Aranha, ele recordou que se questionavam bastante sobre quem seria o substituto de Peter Parker, o alter ego do herói.

'Chegamos a conclusão de que talvez fosse o momento (para o nascimento do novo personagem) e dessa discussão nasceu Miles Morales'.

'Demos uma cara diferente ao Homem-Aranha', explica Alonso, admitindo trabalhar com a hipótese de que um novo super-herói afro-americano poderia gerar críticas dos fãs do famoso personagem que cresceu acompanhando gerações.


O novo encarregado de proteger Nova York, um menino de pele negra, olhos castanhos e cabelo preto, a quem a Marvel descreve como um jovem estudante muito apegado à família foi desenhado por Sara Pichelli, Salvador Larroca e Calyton Crain, e suas façanhas surgem dos escritores Brian Michael Bendis, Jonathan Hickman e Nick Spencer.

'Com Morales tentamos criar um novo herói com quem todos se identificassem. O mais importante são os velhos 'fãs' (do Homem-Aranha) e que os novos o recebam e o amem', afirmou.

Alonso comentou que Peter Parker tinha muitos fãs 'mas tem certeza que Miles também terá. Corremos esse risco porque representa um perfil bem atual'.

O alto funcionário da Marvel destacou que o trabalho da editora 'é divertir, criar histórias sobre pessoas que reflitam o país e sua diversidade, diferentes pontos de vista dos personagens de diversos ambientes e culturas'.

Nesse sentido, chamou a atenção para que não é intenção deles perpetuar estereótipos.

'Morales é muito ágil, interessado em ciência e procura atingir suas metas. Tem os mesmos problemas que qualquer menino do Brooklyn', diz.

'O objetivo é que o as pessoas se identifiquem com ele. É preciso sentir o coração do super-herói para entendê-lo', afirmou Alonso, que se sente próximo da história de Miles (nome) porque também é resultado da mestiçagem racial.

Apesar das origens do novo personagem, no entanto, Alonso assinalou que não acredita que vão fazer histórias dele defendendo imigrantes e lembrou que isso 'depende mais dos escritores, do que dos editores'.

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