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Confraria das Pretas: conheça a empresa que tem o objetivo de popularizar o consumo de vinho

Como levar informação a uma população pouco familiarizada com o assunto, mas que tem cada vez mais sede e vontade de conhecer essa bebida?

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Popularização do vinho: um produto que conversa com a diversidade do Brasil. (Catarina Bessell/Exame)

Popularização do vinho: um produto que conversa com a diversidade do Brasil. (Catarina Bessell/Exame)

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*Silvana Aluá

Publicado em 30 de janeiro de 2023 às, 08h00.

A história do vinho no Brasil é marcada pela colonização e pelo processo de imigração que tinha como objetivo branquear a população brasileira. Essa cultura foi implantada por uma parcela de imigrantes que vieram para cá fugindo de guerras e em campanhas realizadas pelo governo brasileiro para substituir a mão de obra escravizada por trabalhadores brancos.

Em meados da década de 1980, o vinho ficou marcado como produto de luxo, e seu consumo passou a ser exclusividade de uma parcela privilegiada. Antigamente você não encontrava vinho facilmente nos supermercados. Se quisesse provar algum rótulo específico de determinada região ou uva, precisaria ir a uma loja especializada. Isso dificultava mais ainda a acessibilidade para quem não fazia parte desse grupo social.

Hoje o vinho está mais disponível nas gôndolas dos mercados e é ofertado até em lojas de conveniência e e-commerces. Mas como uma população que não está familiarizada com a diversidade de estilos, porém, com cada vez mais interesse em beber, pode encontrar um bom rótulo?

Foi em razão dessa falta de informação sobre a bebida para consumidores fora do padrão normativo que comecei a montar encontros. Assim nasceu a Confraria das Pretas, uma empresa que visa reunir pessoas pretas para degustar vinhos de forma divertida e amorosa. As reuniões acontecem em bares, online e em vinícolas, para proporcionar o resgate e a troca de informações sobre a bebida.

Nesses encontros comecei a perceber pessoas interessadas em se especializar nessa área. Afinal, o vinho proporciona muitas possibilidades. No Brasil, um curso profissionalizante é caro. Pense comigo: como alguém que recebe um salário mínimo pode investir em aulas com certificado internacional que custam algumas vezes a sua renda mensal?

O Brasil é conhecido por seu rico cenário gastronômico, com muita diversidade, e o vinho faz parte disso. Precisamos de mais ações afirmativas que capacitem profissionais.

Nessa caminhada conheci a escola Celebrare, que oferece cursos com certificações internacionais, e fechamos uma parceria para oferecer bolsas de estudo para pessoas vulnerabilizadas. Tornar o vinho mais plural é uma missão de todos.

*Silvana Aluá é sommelière e fundadora da Confraria das Pretas.

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