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Rebeca, Gabriela, Ludmila: 5 histórias inspiradoras das atletas do Brasil

A Olimpíada de Tóquio é a primeira da história com o número geral de homens e mulheres equiparado. No Brasil, as atletas chamam atenção pelos bons resultados e carreiras de destaque
 (Getty Images/Pascal Le Segretain)
(Getty Images/Pascal Le Segretain)
Por Carolina RiveiraPublicado em 27/07/2021 06:00 | Última atualização em 29/07/2021 12:43Tempo de Leitura: 10 min de leitura

Já era madrugada de domingo, 25, quando o Brasil assistiu à apresentação de Rebeca Andrade no solo, ao som da música "Baile de Favela". Nas horas seguintes, com a ginasta já classificada em três finais, o vídeo de suas acrobacias seguiu um dos mais comentados nas redes sociais, até virar trending topic no Twitter.

Dias depois, nesta quinta-feira, 29, Rebeca fez história ao conquistar a medalha de prata no individual geral, a primeira da ginástica feminina do Brasil em Olimpíadas.

Aos 22 anos, Rebeca é uma das estrelas da cada vez mais numerosa delegação brasileira feminina. A ginasta de Guarulhos (SP) é parte do grupo de 140 atletas mulheres do Time Brasil, que representam 46,5% do total. A fatia só não é maior que a de Atenas, em 2004. No Rio, a participação das atletas foi de 45,6%.

Globalmente, a Olimpíada deste ano também se destaca por ser a primeira na história olímpica com paridade de gênero, segundo o Comitê Olímpico Internacional. No total, quase 49% dos atletas são mulheres.

Na primeira edição olímpica, em 1896, as mulheres ainda sequer competiam, e só chegaram aos Jogos, em esportes selecionados, em 1900. No time brasileiro, na Olimpíada de 1964, na mesma cidade de Tóquio, Aída dos Santos, do salto em altura, foi a única mulher de uma delegação de 68 atletas — e sequer tinha uniforme para competir.

O desafio para as atletas mulheres ainda é maior em várias modalidades, das diferenças de pagamento à falta de visibilidade e patrocínio. Ainda assim, neste ano, além da presença em peso, as brasileiras podem representar fatia significativa das medalhas do país em Tóquio. Para celebrar a participação da delegação de brasileiras, a EXAME separou histórias de cinco atletas do Brasil com trajetórias inspiradoras.

Rebeca Andrade em apresentação no Rio, em 2016: segunda Olimpíada e três finais (Pascal Le Segretain/Getty Images)

Rebeca Andrade — levando a favela ao mundo

Após uma série de apresentações elogiadas no último fim de semana, Rebeca Andrade levou o Brasil a três finais na ginástica artística. A ginasta se classificou para a etapa final no solo, no salto e no individual geral, prova na qual conseguiu a prata nesta quinta-feira. As finais de solo e salto ainda acontecem no domingo, 1º de agosto, e na segunda-feira, 2.

A ginasta de Vila Fátima, em Guarulhos (SP), se dedica à ginástica desde antes dos 10 anos, tendo passado por dificuldades financeiras na infância e criada sozinha pela mãe. Logo no começo da carreira, Rebeca surpreendeu ao conquistar o primeiro título aos 13 anos, já em sua primeira competição profissional e desbancando favoritas como Jade Barbosa e Daniele Hypólito.

No Rio, com 17 anos e em sua primeira Olimpíada, ocupou o 11º lugar no individual geral, entre 24 ginastas — quando se apresentou no solo com "Single Ladies", da cantora americana Beyoncé. Neste ciclo olímpico, Rebeca trocou o pop americano pelo funk brasileiro. Sua apresentação no solo em Tóquio, ao som de "Baile de Favela", do cantor MC João, e remix com Bach, garantiu a presença da brasileira na final do individual geral e rendeu elogios entre comentaristas e torcedores.

Para chegar a Tóquio, Rebeca sofreu três cirurgias no joelho nos últimos anos, a última pouco antes da Olimpíada e que quase a fez perder a vaga se não fosse o adiamento dos Jogos. Mais cedo, em 2015, após a primeira lesão, Rebeca também pensou em desistir da ginástica. Hoje, chega a suas primeiras finais olímpicas e tem chance de surpreender com mais medalhas para o Brasil — ao lado da colega Flávia Saraiva, classificada na trave.

Ludmila comemora após marcar gol do Brasil contra a Holanda: nova geração do futebol (Koki Nagahama/Getty Images)

Ludmila da Silva — infância difícil

Em uma modalidade que ainda tem muito a crescer no Brasil, a atacante Ludmila, aos 26 anos, é um dos rostos da nova geração do futebol feminino, fazendo a transição após o grupo que contou nos últimos ciclos com craques como Marta, Formiga e Cristiane.

Antes de brilhar nos campos, Ludmila teve uma infância das mais difíceis: perdeu o pai quando ainda era pequena, não teve contato com a mãe e chegou a morar em um orfanato em Guarulhos.

O futebol entrou em sua vida por acaso. Ludmila era boa com a velocidade e o atletismo, e foi incentivada por um amigo a fazer um teste no futebol do Juventus, em São Paulo. Emily Lima, então técnica do clube, se tornaria mentora da jovem atleta e mais tarde, já comandando a seleção, daria a Ludmila sua primeira convocação, em 2017.

Com o tempo, a jogadora evoluiu, e colocou no currículo troféus como a Libertadores de 2014 (pelo São José dos Campos) e dois campeonatos espanhóis nas temporadas 2018 e 2019 pelo Atlético de Madrid — ela é a primeira brasileira a defender o futebol feminino do clube na história. Hoje, é uma das esperanças para ajudar a levar o Brasil longe na disputa olímpica, após as doloridas pratas de 2004 e 2008 e o quarto lugar no Rio em 2016.

Gabriela Chibana: atleta conciliou os estudos de enfermagem com o esporte (Divulgação/Divulgação)

Gabriela Chibana — enfermeira e atleta

Gabriela Chibana, de 27 anos, pode se considerar uma exceção no esporte de alto rendimento no Brasil: embora tenha chegado às Olimpíadas de Tóquio, competindo na categoria de até 48 kg, a atleta de São Paulo é também formada em enfermagem, um curso pouco relacionado ao esporte.

Ao longo dos últimos anos, Gabriela conciliou os treinos diários com os exigentes estudos de uma graduação de saúde, primeiro na Santa Casa de São Paulo, e depois no Centro Universitário São Camilo. Ela se formou em 2019, e fez estágios antes da pandemia do coronavírus. Seu TCC, trabalho de conclusão de curso, foi sobre hesitação vacinal. "Vi que muitas pessoas estavam deixando de se vacinar por muitos fatores, e doenças que já estavam erradicadas estavam voltando, como o sarampo", disse ao site da Confederação Brasileira de Judô.

De família judoca (ela é a segunda a chegar em Olimpíadas), Gabriela foi reserva em Londres 2012, até garantir sua vaga própria na Olimpíada.

Infelizmente, a judoca foi eliminada nos Jogos de Tóquio na sexta-feira, 23, ao perder a segunda luta, e depois de vencer o primeiro embate com um ipon em apenas 15 segundos. Ao falar após a disputa, Gabriela se emocionou e pediu desculpas pelo resultado. "Ainda não dá pra falar muito, só quero agradecer a todo mundo pela torcida. Desculpa, queria ter ido melhor, não sei o que falar", disse à TV Globo. Nas redes sociais, a persistência da atleta ao seguir na carreira de enfermeira e a humildade nas declarações foram amplamente elogiadas.

Rayssa Leal (à dir.), ao lado das skatistas brasileiras Letícia Bufoni e Pamela Rosa: referências mundiais (TIZIANA FABI/AFP/Getty Images)

Rayssa Leal — skate é de menina!

A skatista Rayssa Leal conquistou o país no último domingo, 25, ao trazer ao Brasil a medalha de prata do skate street, com obstáculos simulando a rua. Mas sua trajetória vem de muito antes: Rayssa começou a se aventurar no skate por volta dos sete anos. Ficou conhecida quando o renomado skatista americano Tony Hawk compartilhou, em 2015, um vídeo da maranhense fazendo manobras com uma fantasia de fada em Imperatriz, cidade de menos de 300.000 habitantes no Maranhão, onde Rayssa e a família ainda vivem. Da famosa fantasia viria o apelido de "Fadinha", que a acompanha até hoje.

Atleta mais jovem do Brasil a ganhar uma medalha olímpica, Rayssa é também a número 2 do ranking mundial da modalidade, liderado pela brasileira Pamela Rosa, que ficou fora da final, atrapalhada por uma lesão no tornozelo.  Letícia Bufoni, uma das primeiras atletas a despontar no skate street feminino, é a quarta.

Após a medalha, Rayssa, que um dia já ouviu que "skate não é para menina", fez questão de ressaltar o papel das colegas. "Estou muito feliz, porque pude representar todas as meninas, a Pamela e a Letícia, que não se classificaram, e todas as meninas do skate e do Brasil."

Silvana Lima em Tóquio: referência no surf brasileiro (Olivier MORIN/AFP)

Silvana Lima — surfe com madeira do lixo

Silvana Lima infelizmente foi eliminada nas quartas-de-final na madrugada desta terça-feira, e teve de adiar o sonho da medalha olímpica na primeira participação do surfe na história da competição. Mas, aos 36 anos, já chegou à Olimpíada como uma referência inquestionável para o esporte brasileiro — nas ondas e na trajetória pessoal.

Silvana morou até os 17 anos em uma barraca em Paracuru, no Ceará. O começo foi difícil, e sua iniciação no surf veio com pedaços de madeira que encontrou no lixo. Hoje aos 36 anos, Silvana se tornou a melhor surfista do Brasil por oito vezes, foi duas vezes vice-campeã mundial, em 2008 e 2009, e uma das primeiras surfistas do país a ganhar notoriedade internacional.

Uma geração adiante, a brasileira Tatiana Weston-Webb, de 25 anos, também foi às Olimpíadas de Tóquio, e caiu nas oitavas.

Para as futuras gerações, Silvana disse acreditar que a chegada do surfe ao rol de esportes olímpicos ajudará a alavancar a modalidade,  trazer patrocínios e novos talentos.

Após a competição nesta madrugada, a atleta também se emocionou ao falar sobre sua trajetória. "Estou me sentindo bem, confiante, agora com todo o suporte que estou tendo de vários patrocínios, da minha família, da minha namorada", disse ao jornal Folha de S.Paulo.

Ao falar sobre o casamento com a namorada, a ser realizado em breve, a atleta defendeu ainda o fim do preconceito no esporte. Segundo o COI, há mais de 160 atletas declarados LGBTQI+ nesta edição olímpica, um recorde positivo para a competição. Silvana conclui: "Foi emoção de tudo, ter competido nas Olimpíadas."

*A matéria foi atualizada para incluir a conquista da medalha de prata por Rebeca Andrade no individual geral, em 29 de julho.