A Volvo quer ser a Tesla? Montadora sueca apresenta novos híbridos feitos para serem elétricos

Em 70 quilômetros de estradas sinuosas com gelo e paisagens da Patagônia Argentina, testamos o novo motor T8 nos modelos XC60 e XC90
Os modelos XC60 e XC90, da Volvo, atualizados com o motor T8. (Volvo/Divulgação)
Os modelos XC60 e XC90, da Volvo, atualizados com o motor T8. (Volvo/Divulgação)
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Julia Storch

Publicado em 02/06/2022 às 12:00.

Última atualização em 02/06/2022 às 13:32.

Provavelmente uma das estradas mais bonitas do mundo foi escolhida como cenário e pista para apresentação das atualizações no modo elétrico dos modelos XC60 e o XC90, da Volvo. Na Rota 40, são mais de 5 mil quilômetros que ligam a divisa da Bolívia ao extremo sul da Argentina. Entre picos nevados, lagos e rios, em Villa La Angostura, testamos o novo motor T8, em 70 quilômetros de estradas sinuosas com gelo e paisagens da Patagônia.

Nas curvas acentuadas, para auxílio na frenagem do veículo, a posição B entra em ação, com frenagem automática para possíveis obstáculos como ovelhas e vacas que saem das fazendas ao redor e entram na Rota 40. Além disso, a posição B também regenera energia para a bateria.

O trajeto levou à estação de esqui, onde ocorreram talks com as influenciadoras e embaixadoras Nina Silva e Luiza Brasil, sobre suas experiências com os veículos.

Proprietária de um XC40, Brasil conta sua experiência com o modelo 100% elétrico. “Tive a primeira experiência de viagem de São Paulo até o litoral norte. Fui e voltei sem precisar carregar, mas ao mesmo tempo procurei pelos eletropostos, que realmente suprem a necessidade. A Volvo está mudando a proposta da mobilidade urbana, e as cidades estão se readaptando”. E finaliza, “conduzir um carro para mim é conduzir uma jornada”.

Com isso a marca decidiu aumentar a autonomia elétrica dos modelos XC60 e XC90 através do novo motor T8. Assim, os modelos XC60 e o XC90 ganharam mais de 65% de potência, passando a 145hp e 309 Nm de torque.

Já a capacidade da bateria aumentou 62% e passou a 18.8 kWh. Isso se reflete na autonomia dos modelos, que passam a ter cerca de 78 quilômetros no XC60, um aumento equivalente a 73% e cerca de 71 quilômetros no XC90, aumento de 61%.

Combinados, os motores ganham 14% a mais de potência, passando de 407hp para 462hp, e um torque de 709 Nm. Com mais pessoas dirigindo no modo elétrico, a Volvo estima uma redução de 50% na emissão de CO2 na atmosfera.

A construção das baterias também mudou, agora com três camadas de células, há uma capacidade maior de armazenamento com o mesmo tamanho anterior.

Em entrevista à Casual Exame, Vivianne Gonçalves e Felipe Yagi, gerente de marketing da Volvo contam sobre o mercado e investimento em carros elétricos, o público consumidor e sustentabilidade.

Vivianne Gonçalves, gerente de marketing e João Oliveira, diretor geral da Volvo. Nina Silva e Luiza Brasil, influenciadoras e embaixadoras da montadora. (Volvo/Divulgação)

Por que a transição gradual dos carros híbridos, com aumento da capacidade, como o motor T8, e não a conversão direta dos modelos para motores totalmente elétricos?

Felipe Yagi: Temos uma presença bem forte com os carros elétricos. Nós somos a primeira marca a vender mais de mil carros elétricos no Brasil. Mas entendemos que as pessoas precisam experimentar essa tecnologia, precisam começar a colocar os carros pra carregar, precisam começar a entender como que funciona essa construção cerca elétrica, sem poluente, sem ruídos. Esse carro é fantástico para você conseguir fazer essa transição e converter cada vez mais pessoas para o mundo 100% elétrico.

Uma das coisas que a gente tem explorado bastante é que com essa autonomia de quase 80 quilômetros, você consegue fazer basicamente todas as suas atividades do dia a dia de um modo 100% elétrico. Então, de uma certa forma, essa pessoa já entrou nesse mundo. Pode ser que ainda tenha alguns medos por ‘putz, não sei como vou carregar’. Então, o híbrido ajuda a as pessoas a entrarem nesse mundo e a partir do momento que você entra nesse mundo, você vê que não é um bicho de sete cabeças, você começa a ver sempre o lado positivo da coisa. Um exemplo, você chega na sua casa, deixa o carro carregando, no outro dia você sai para trabalhar. Seu carro vai estar com a bateria completa para fazer o que você quiser. Se você tivesse um carro à combustão, você ia ter um posto de combustível na sua garagem?

Vivianne Gonçalves: Com um carro a combustão é preciso se programar para poder passar no posto de gasolina e não se atrasar para o compromisso. O carro híbrido ajuda as pessoas a entenderem e mudarem esse comportamento, para você estar mais disposto a fazer essa transição para o mundo 100% elétrico. A gente tem clareza que é uma tecnologia de transição, a Volvo foi a primeira marca a fazer um compromisso de virar totalmente elétrica em 2030. Mas a gente sabe que é uma transformação que vão clientes diferentes. Então, a gente sabe que vão ter clientes em diferentes níveis e que ela vai cumprir esse papel como o Felipe falou, depois que a pessoa experimentar, ela não volta atrás. Tem uma data para acabar, mas nesse meio tempo é fundamental para o cliente sentir a que precisa.

Poderiam falar sobre os investimentos em corredores elétricos? Como está o planejamento?

FY: É um investimento de dez milhões de reais. São treze corredores elétricos, a gente inaugurou o primeiro, agora, na rodovia Régis Bittencourt. A ligação basicamente de São Paulo, Curitiba. A gente tem eletroposto ali de carga rápida na altura da cidade de Cajati. Então foi a primeira que a gente fez, foi no começo de maio agora e a ideia é que a gente gradativamente vá colocando esses treze carregadores em circulação.

O marketing da Volvo sempre foi voltado à segurança, mas hoje em dia, a sustentabilidade parece ter um foco maior. Tanto a Nina Silva quanto a Luiza Brasil conversam com um público jovem. Qual é o perfil dos clientes da marca atualmente, ele mudou ao longo dos anos?

VG: Temos três pilares do nosso propósito, oferecer uma mobilidade que seja segura, sustentável e pessoal. Um não pode ter sem o outro, acho que a sustentabilidade foi uma evolução natural, apesar da gente sempre ter um legado de tecnologia também com isso, mas eu acho que o cliente percebe também que essa importância cresceu cada vez mais conectados com esses valores. Traçamos um perfil psicológico do que é demográfico sobre nossos clientes. Estávamos comentando recentemente de um cliente que comprou um carro totalmente elétrico que vive no centro-oeste em uma fazenda, ele tem 80 anos e usa o carro para circular dentro da fazenda dele. Então, é muito mais sobre entender que a tecnologia atende uma demanda de vida, uma expectativa de social de  valores. Então, a gente vai ter pessoas jovens, que são antenadas em tecnologia como é o caso da Luiza e da Nina, mas também outros perfis de pessoas.

Antigamente quando lançamos o modelo híbrido, as pessoas entravam na concessionária procurando um carro e a concessionária tinha que chamar a atenção e explicar o híbrido, falar das vantagens, às vezes de potência, dos modos de condução, a versatilidade. Hoje em dia, o nosso portfólio já não tem carros só a combustão, mas mesmo antes disso, essa transição foi possível porque o cliente já entrava na concessionária buscando o híbrido e agora o elétrico.

O cliente pode até buscar o elétrico e sentir que não está pronto e ir para o híbrido, mas ele já vai muito informado, consome muito conteúdo, então acho que tudo isso influencia na decisão, com certeza.

Além da eletrificação, outro pilar de sustentabilidade está focado nos componentes dos carros, feitos com materiais mais sustentáveis. Queria entender mais um pouco sobre esses materiais e suas procedências.

VG: A gente tem uma meta para 2025 para que 25% do plástico usado seja reciclado. Isso vai passar por uma série de partes do carro, como os carpetes dos carros, o estofamento de bancos que tem uma composição misturada, com um tecido feito de poliéster reciclado a partir de pet e materiais de base biológica. Estamos trabalhando para isso. Para os próximos carros, teremos componentes feitos com materiais de pinheiros da Suécia. Nossos carros elétricos já vem sem a opção do couro animal, que entendemos ter um impacto muito grande. Os carros vem com um tecido reciclado. No caso dos carros híbridos, estamos em um período de transição, então os clientes podem escolher tecidos mais sustentáveis, enquanto o couro ainda permanece na linha que sairá gradualmente.

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