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Skills-first: o futuro do trabalho está focado em priorizar as habilidades

O novo relatório Future of Jobs de 2023 alerta que o que antes era um diferencial agora é fator chave para as empresas: a priorização das habilidades

Abordagem centrada em habilidades está redefinindo a gestão de talentos
Bruno Leonardo

Vice President of Corporate Education da Exame

Publicado em 31 de outubro de 2023 às 10h10.

O relatório Future of Jobs 2023, do Fórum Econômico Mundial, estima que até 2027 surjam 69 milhões de novos postos de trabalho e que 83 milhões dos trabalhos existentes desapareçam. Isso significa uma coisa: mudanças. Em menos de cinco anos, o mundo do trabalho exigirá de nós, líderes, habilidades como flexibilidade e adaptação.

Até aqui, nada muito chocante. Afinal, muitos desses dados sobre o futuro do trabalho já são mostrados em diversos locais de discussão. Se você ainda não começou essa jornada de adaptação, este texto pode oferecer perspectivas diferentes para que possa refletir sobre novos caminhos no desenvolvimento e retenção de pessoas.

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Mas pensando especificamente no RH, essa adaptação precisará acontecer também nos modelos de contratação de novos profissionais e além de reformulações na cultura em que criamos para os talentos que já fazem parte de nossa organização. Pelo menos é isso o que o relatório do Fórum Econômico Mundial deixou bem claro.

Se até aqui, o histórico da carreira, cargos e diplomas eram os nossos maiores guias para detectar os melhores profissionais, agora uma nova abordagem surge para colocar o desenvolvimento de habilidades e competências como prioridade – o que o relatório chama de “Skills First”.

O que é a cultura “Skills First” ?

A abordagem "Skills First", proposta pelo novo relatório do Fórum Econômico Mundial, como o nome bem diz (em tradução livre significa “habilidades primeiro”) é uma filosofia de gestão de talentos que coloca as habilidades e competências individuais no centro das estratégias de aquisição, desenvolvimento e retenção de talentos nas organizações.

Em vez de tradicionalmente se concentrar em qualificações acadêmicas, experiência de trabalho anterior ou cargos ocupados, a abordagem "Skills First" prioriza avaliar os conhecimentos, aptidões e habilidades específicas que os colaboradores possuem e podem aplicar em suas funções.

Essa abordagem reconhece que, em um ambiente organizacional em constante evolução, as habilidades práticas, sejam elas técnicas ou comportamentais, são muitas vezes mais valiosas do que credenciais acadêmicas tradicionais. Ela parte do princípio de que as soft ou hard skills são ativos fundamentais para a adaptação, inovação e eficácia organizacional.

A cultura "Skills-First", uma tendência para um dos relatórios mais importantes no mundo do trabalho, promove a identificação, desenvolvimento e utilização eficaz das habilidades já existentes e em potencial de suas equipes para atender às necessidades em constante mudança das empresas e dos mercados em que atuam.

Quais são os benefícios da cultura “Skills First” para o RH?

A abordagem proposta pelo relatório caminha lado a lado com uma das filosofias organizacionais que eu mais acredito e levo para outras empresas: a aprendizagem contínua. Não há dúvida de que esse é o único caminho para permanecermos relevantes enquanto profissionais, mas não quero entrar somente nesse mérito.

Para o RH, especialmente para a área de gestão de talentos e contratação, a cultura “Skills First” também traz uma série de benefícios, posso citar:

Sete passos para estabelecer o mindset Skills First na sua empresa

O relatório apresenta também algumas dicas para colocar em prática esse conceito, veja abaixo:

  1. Identifique os gaps de habilidades atuais em sua empresa
  2. Articule as habilidades necessárias nas descrições de vagas, busque alavancar e reconhecer métodos inovadores de avaliação de habilidades.
  3. Desenvolva programas de treinamento baseados em habilidades.
  4. Impulsione o lifelong learning e o acesso a oportunidades de aprendizagem.
  5. Crie caminhos baseados em habilidades para promoção de talentos.
  6. Adote a cultura, as políticas e a mentalidade que priorizam as habilidades.
  7. Adote uma linguagem de habilidades comuns.

Se ainda não ficou claro, o futuro do trabalho está focado em priorizar as habilidades dos colaboradores. O que era um diferencial, se torna cada vez mais um fator decisivo para a competitividade das organizações no mundo do trabalho, agora e no futuro.

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