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‘Janeiro Branco’ alerta sobre saúde mental no trabalho às vésperas da NR-1

Campanha ganha peso diante de estudo que mostra aumento de afastamentos no trabalho por estresse, fadiga e burnout. Exigência legal para gestão de riscos psicossociais nas empresas entra em vigor a partir de maio

A ansiedade continua sendo a principal causa de afastamento por transtornos mentais (sorbetto/Getty Images)

A ansiedade continua sendo a principal causa de afastamento por transtornos mentais (sorbetto/Getty Images)

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 08h06.

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Janeiro, tradicionalmente associado a recomeços, também se consolidou no Brasil como um mês de alerta sobre saúde mental. Criada em 2014 pelo psicólogo Leonardo Abrahão, a campanha "Janeiro Branco" propõe que o início do ano funcione como uma “folha em branco” para repensar hábitos e ampliar o diálogo sobre saúde emocional.

Mais de uma década depois de sua criação, a iniciativa ganha um peso adicional no ambiente corporativo. Dados de um estudo da VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores, mostram que os transtornos mentais avançaram de forma consistente nas empresas brasileiras nos últimos dois anos, justamente às vésperas da entrada em vigor das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a responsabilidade das organizações sobre riscos psicossociais no trabalho.

“Saúde mental não se resume mais a bem-estar; ela se tornou um fator decisivo de sustentabilidade para os negócios”, afirma Cássio Carvalho, diretor-executivo de Negócios da VR.

Veja também: Como saber se o "brain rot" está atrapalhando a sua carreira?

Estresse, fadiga e burnout mais que dobram em dois anos

A análise da VR considera uma base robusta: mais de 30 mil empresas e cerca de 1,3 milhão de trabalhadores que utilizam as soluções de RH Digital da companhia e apresentaram atestados médicos por meio do SuperApp VR entre 2023 e 2025.

A partir da verificação das CIDs (Classificação Internacional de Doenças), os dados indicam que afastamentos associados à fadiga, estresse e esgotamento emocional mais que dobraram no período.

Em 2023, esses diagnósticos representavam entre 1,5% e 2,5% dos afastamentos. Em 2024, passaram para a faixa de 3% a 4%. Já em 2025, atingiram entre 6% e 8% dos registros.

Segundo a VR, parte desse crescimento pode estar relacionada à ampliação do uso de CIDs mais específicas para esses quadros. Ainda assim, os dados mostram que não houve substituição de diagnósticos. Ansiedade e depressão permanecem em níveis elevados ao longo de todo o período, sugerindo um processo cumulativo de adoecimento mental no ambiente de trabalho.

Ansiedade lidera afastamentos, seguida por depressão

A ansiedade — em suas diferentes manifestações — continua sendo a principal causa de afastamento por transtornos mentais. Em 2023, respondeu por 54% dos diagnósticos. Em 2024, oscilou entre 51% e 52% e, em 2025, manteve-se entre 48% e 50% dos casos.

Os transtornos depressivos aparecem em seguida, motivando cerca de 30% dos atestados ao longo dos três anos analisados. Já os quadros mistos, que combinam ansiedade e depressão, apresentaram crescimento expressivo: saltaram de 14% em 2023 para 20% em 2024, com leve recuo em 2025, quando ficaram entre 17% e 18%.

Para especialistas, o conjunto dos dados reforça que o avanço do estresse e do burnout não substitui outras doenças mentais, mas se soma a elas, ampliando o impacto sobre trabalhadores e empresas.

Veja também: Boreout: o tédio profissional que ameaça a saúde mental e a Geração Z no mercado de trabalho

Nova NR-1 transforma saúde mental em obrigação legal

É nesse contexto que a campanha “Janeiro Branco” passa a dialogar diretamente com a legislação trabalhista. A atualização da NR-1 amplia o escopo de responsabilidade das empresas ao exigir a identificação, avaliação e gestão dos chamados riscos psicossociais.

A norma determina que fatores como estresse ocupacional, sobrecarga de trabalho, pressão por metas, assédio e impactos emocionais decorrentes da organização do trabalho passem a integrar os programas de prevenção de riscos.

“Cuidar exige ações estruturadas, monitoramento e políticas de cuidado, incluindo atenção a indicadores previstos na NR-1, como o controle de jornada e a marcação de ponto, fundamentais para identificar excessos, sobrecarga e riscos psicossociais no ambiente de trabalho”, diz Carvalho.

Para se adequar às novas exigências, as empresas terão prazo até maio de 2026.

“Ignorar os cuidados com a saúde mental significa assumir riscos humanos, operacionais e financeiros cada vez maiores”, afirma.

Veja também: Burnon ou burnout? Qual dessas doenças está sendo gerada pelo seu trabalho?

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