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Redatora
Publicado em 22 de junho de 2026 às 18h00.
Última atualização em 23 de junho de 2026 às 06h29.
A transição de uma função técnica para uma cadeira executiva de liderança costuma ser descrita como o momento de maior ruptura na carreira de um gestor. Na prática, o sucesso nessa mudança exige que o profissional pare de se enxergar apenas como um especialista em processos e passe a atuar como um articulador estratégico do negócio.
Essa é a visão de Marcos Rosa, atual Diretor Comercial da Tetra Pak. Com 27 anos de trajetória na mesma companhia — acumulando bagagem prévia em multinacionais de gases industriais e passagens por polos estratégicos do país como Porto Alegre, Recife e Goiânia —, Marcos gerencia hoje a implementação de diretrizes comerciais em mercados altamente complexos.
Segundo ele, o redesenho do mercado corporativo eliminou o espaço para a atuação comercial isolada, exigindo lideranças focadas em dados, transversalidade e capacidade de preservação da qualidade na ponta final.
No cenário das grandes multinacionais, especialmente em setores rigidamente controlados como a indústria de alimentos e bebidas, o modelo de tomada de decisão mudou. Antigamente, os engenheiros e gestores focavam prioritariamente em manter as máquinas operando. Hoje, o mercado migrou para a estratégia da alta competitividade global conectada à realidade local.
Por isso, explica Marcos, as áreas comerciais passaram a concentrar seus esforços na gestão de projetos e controle de execução que não desestabilizem a cadeia produtiva, enquanto a precisão técnica tem cada vez mais relevância e influência no desenho das recomendações a serem implementadas.
Para que essa engrenagem funcione, o executivo defende uma busca contínua por processos cirúrgicos, onde cada movimento gere um retorno exponencial a partir de investimentos inteligentes.
"O objetivo central é conseguir causar um impacto maior, com menos esforço, com mais segurança e com menos interferência em relação à qualidade final ou algum tema que pudesse ser mais sensível na operação", define.
A transição para liderar diretorias comerciais robustas trouxe o desafio de influenciar estruturas sem necessariamente perder o rigor e o pragmatismo técnico característicos de sua formação de origem.
Segundo Marcos, o desenvolvimento contínuo de lideranças sêniores tem se provado o divisor de águas entre organizações que reagem ao mercado e aquelas que o antecipam. Para sustentar essa evolução e expandir suas competências frente ao negócio, o executivo buscou uma das principais instituições de negócios do país.
"Eu conheci a Saint Paul através do convênio com o Instituto Pactuá", explica, apontando como ecossistemas regionais de inovação e instituições de ensino de vanguarda podem acelerar a formação executiva através do PIACC (Programa de Inteligência Artificial para C-Levels, CEOs, Conselheiros e Acionistas).
Em uma carreira construída com foco em resultados sólidos e longevidade corporativa, Marcos percebeu que a liderança sênior exige repertório que vai além da própria especialidade técnica da engenharia química.
Quando o profissional se limita a dominar apenas a sua área de origem, ele perde a capacidade de dialogar de igual para igual com as principais mesas de decisão estratégica. Por isso, o executivo enxerga no aprendizado contínuo as ferramentas necessárias para embasar suas defesas no mercado globalizado.
Mas a alta competitividade no ecossistema de negócios atual não se limita aos processos de fábrica; ela passa obrigatoriamente pela transformação digital e pela capacidade de absorver novas tecnologias no cotidiano da gestão. A Inteligência Artificial, que antes habitava o campo das promessas, hoje molda a mentalidade das lideranças de vanguarda.
Se a dinâmica do mercado muda rapidamente, a busca por atualização estratégica passa a ser o grande diferencial competitivo das lideranças. As ferramentas tecnológicas e a padronização de processos ajudam a escalar os negócios, mas é o repertório conceitual de alto nível que prepara o gestor para antecipar tendências e tomar decisões complexas.
Para Marcos, que buscou o PIACC, da Saint Paul Escola de Negócios, o objetivo principal não é aprender sobre a sua própria rotina prática já consolidada, mas expandir a visão para novas ferramentas globais, governança avançada e as fronteiras da tecnologia aplicadas ao ambiente corporativo.
No ambiente de debates do programa, as discussões sobre estratégias de mercado, eficiência operacional e transformação digital oferecem o ecossistema perfeito para conectar a precisão técnica aos desafios comerciais modernos.
"Trazer temas atuais fez com que eu ficasse mais antenada para o que estava acontecendo no mundo e para uma realidade onde eu lido com diferentes culturas e pessoas. O curso me deu esse repertório para eu conseguir ter uma argumentação melhor, mais embasada, ter um olhar mais estratégico ainda do que eu já tinha, exercitar mais isso e trazer diferentes tipos de análises", conclui.