IA (Longhua Liao/Getty Images)
Redatora
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 12h00.
Durante anos, falar de inteligência artificial no trabalho parecia restrito a tarefas repetitivas ou automatizações técnicas, mas essa fase já passou. Agora, a IA está sendo usada por líderes para apoiar decisões estratégicas, inclusive aquelas que exigem julgamento humano.
Em vez de substituir o gestor, a IA está ganhando espaço como uma espécie de conselheira virtual, ajudando a analisar cenários, prevendo riscos e até sugerindo abordagens para lidar com pessoas e conflitos. As informações foram retiradas de Fast Company.
Stacy Spikes, CEO da MoviePass, compara a IA ao papel de um conselheiro sênior. Ele usa ferramentas baseadas em inteligência artificial para testar caminhos antes de tomar decisões importantes, seja com fornecedores ou com membros da equipe.
“Eu não deixo a IA decidir por mim, mas uso para entender melhor as possibilidades”, afirma Spikes.
Empresas também estão integrando a IA a decisões operacionais rotineiras. No Walmart, por exemplo, um sistema interno apelidado de “super agente” usa diferentes modelos de IA para analisar falhas em entregas ou problemas logísticos.
O colaborador descreve a situação, e a IA organiza dados de várias fontes para oferecer uma explicação inicial que, depois, é validada ou ajustada por uma pessoa.
Marne Martin, CEO da Emburse, explica que a IA funciona melhor quando a base de dados é limpa e as decisões são recorrentes. Já Rafee Tarafdar, CTO da Infosys, afirma que a empresa define o grau de intervenção da IA conforme o risco: quanto mais crítica ou sensível for a decisão, mais envolvimento humano é exigido.
Esse modelo híbrido — com IA acelerando análises e humanos garantindo o contexto — tem se mostrado eficaz para aumentar a produtividade sem abrir mão da responsabilidade.
Se por um lado a IA ajuda a tomar decisões com mais dados, por outro, especialistas alertam para o risco da dependência excessiva.
José-Mauricio Galli Geleilate, professor da Universidade de Massachusetts Lowell, aponta que a consulta frequente à IA pode levar líderes a adotar posturas mais controladoras e punitivas, já que a máquina não traz os sinais emocionais que um colega traria numa conversa real.
Beth Humberd, também professora em UMass Lowell, reforça que recorrer à IA pode criar um distanciamento psicológico. Ao consultar uma máquina, o líder deixa de perceber nuances humanas que normalmente moldariam sua abordagem.
Já Léonard Boussioux, da Universidade de Washington, alerta que a IA, por ser articulada e lógica, tende a convencer com facilidade — o que pode levar líderes a aceitar recomendações sem o devido questionamento. Por isso, empresas que usam IA precisam criar “freios” intencionais: pausas para reflexão, validações humanas e discussões em equipe antes de decisões importantes.
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