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Após vender edtech e investir em pinball, executivo leva IA à educação especial

Depois de liderar projetos para mais de 1,2 milhão de estudantes e criar uma das atrações mais bem avaliadas de Florianópolis, Caio Paiola inicia nova fase voltada à educação

O executivo Caio Paiola migrou para a Domlexia, organização voltada ao apoio para crianças com dislexia (Divulgação/Divulgação)

O executivo Caio Paiola migrou para a Domlexia, organização voltada ao apoio para crianças com dislexia (Divulgação/Divulgação)

Rafael Martini
Rafael Martini

Editor da Região Sul

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 09h54.

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Aos 34 anos, Caio Paiola está de volta a um ponto conhecido de sua trajetória: o encontro entre tecnologia e educação. Depois de passar por inteligência artificial, varejo digital, fintech e até investir R$ 1,5 milhão em um bar de pinball em Florianópolis, o executivo inicia uma nova fase no conselho administrativo da Domlexia, organização voltada ao apoio de crianças com dislexia e outras neurodivergências.

Entre os projetos em desenvolvimento está o uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio a escolas e professores na identificação precoce de sinais e dificuldades de aprendizagem nos primeiros anos escolares.

A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem caracterizado por dificuldades persistentes na leitura de palavras e na escrita, especialmente em aspectos como precisão e velocidade. Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, as causas são complexas e envolvem uma combinação de fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais.

O tamanho do desafio ajuda a dimensionar a nova frente. Uma meta-análise internacional sobre crianças do ensino fundamental estimou a prevalência da dislexia em 7,1% — o equivalente a aproximadamente 71 crianças a cada mil estudantes.

A mudança ocorre pouco depois de Paiola encerrar, em julho, o Pinball Space, empreendimento aberto em Florianópolis em 2023. O negócio chegou ao primeiro lugar entre 258 atividades da cidade na categoria “Tours & Activities” do TripAdvisor, com nota 5,0 e o Travelers' Choice 2026.

No Google, alcançou avaliação 4,9, com mais de 1,4 mil avaliações, além de reunir mais de 50 mil seguidores nas redes sociais.

Segundo Paiola, o fechamento não ocorreu por problemas de desempenho, mas pela decisão pessoal de encerrar um ciclo e abrir espaço para novos projetos.

A mudança é mais uma em uma carreira iniciada aos 18 anos. Natural de São Paulo, Paiola começou como desenvolvedor e, em quatro anos, chegou a Tech Lead na Burti/Casa Vaticano, software house que atendia grandes agências de publicidade e anunciantes.

Aos 21 anos, já liderava profissionais mais experientes e começava a migrar da programação para a gestão.“Eu acho que o que mais aprendi ali foi que não dá para fazer tudo sozinho. Posso fazer tudo, mas, sem pessoas boas o suficiente ao meu lado, não vou a lugar nenhum”, afirma.

O primeiro salto executivo veio em 2014, quando assumiu como CTO da HomeRefill, startup criada para automatizar compras recorrentes de produtos domésticos.

Foi ali que começou a trabalhar comercialmente com inteligência artificial, anos antes da atual popularização da tecnologia. Entre 2015 e 2017, a empresa utilizava IA para analisar padrões de consumo, prever a reposição de produtos e auxiliar no planejamento de estoques.

Convite via rede social

A HomeRefill chegou a cerca de 170 mil usuários cadastrados em São Paulo. Em 2016, o aplicativo entrou na seleção “Best of 2016” da Apple, entre os dez melhores aplicativos para iPhone no país.

A próxima virada veio por uma mensagem no LinkedIn. Em 2017, Paiola recebeu o convite para conhecer a Studos Software e mudou-se para Florianópolis, onde entrou como sócio e CTO da edtech.

A plataforma utilizava inteligência artificial para identificar dificuldades dos estudantes e direcionar exercícios de acordo com o desempenho individual. Também incorporava reconhecimento de imagens à correção de avaliações.

Na época em que foi vendida, a Studos atendia mais de 130 mil alunos em mais de 500 escolas e reunia um acervo superior a 90 mil questões.

A empresa também foi selecionada para o programa global AWS EdStart, da Amazon Web Services. Segundo dados publicados pela AWS, a plataforma reduzia de cerca de duas horas para 20 minutos o tempo de criação de provas e estava associada a ganho médio de 14% no desempenho dos estudantes.

Em 2020, a Studos foi adquirida integralmente pela Arco Educação, companhia então listada na Nasdaq e avaliada em mais de US$ 2 bilhões.

Paiola permaneceu no grupo e passou a atuar em uma estrutura que atendia mais de 1,2 milhão de estudantes. À frente da ArcoTech, trabalhou na integração das tecnologias da companhia e depois liderou a criação da ArcoPay, plataforma de pagamentos e cobranças para escolas.

Depois de mais de uma década ligada a software, a carreira tomou uma direção improvável.

Em 2023, Paiola investiu cerca de R$ 1,5 milhão na criação do Pinball Space, em Florianópolis. O negócio nasceu da paixão por videogames e máquinas de pinball e da percepção de que praticamente não havia operações semelhantes no Sul do país.

Paiola participou diretamente da operação, aprendeu a fazer manutenção das máquinas importadas e desenvolveu softwares próprios para processos que as soluções disponíveis no mercado não atendiam.

O empreendimento recebeu visitantes de outros estados, promoveu campeonatos e construiu uma comunidade em torno das máquinas antes de encerrar as atividades neste ano. Agora, a nova etapa volta a conectar tecnologia, educação e inteligência artificial.

Na Domlexia, a proposta é usar IA para ampliar a capacidade de escolas e professores identificarem mais cedo sinais de dificuldades de aprendizagem.

A trajetória também dá ao executivo uma perspectiva particular sobre a atual corrida pela inteligência artificial. Quando as ferramentas generativas levaram a IA ao grande público, Paiola já trabalhava comercialmente com a tecnologia havia vários anos.Para ele, porém, tecnologia e resultado financeiro continuam sendo meios para um objetivo maior.

“O dinheiro deve ser consequência do valor que você gera para as pessoas. Quando há paixão no que você faz e um impacto real na vida delas, o retorno financeiro surge naturalmente”, afirma.

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