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Qualificar o jovem aprendiz no mercado de trabalho do futuro é urgente

Modificar a Lei da Aprendizagem coloca em risco uma das mais eficientes políticas públicas de inclusão de jovens no mundo do trabalho

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Jovem precisa entender a necessidade de aprender ao longo da vida (Huntstock/Thinkstock)

Jovem precisa entender a necessidade de aprender ao longo da vida (Huntstock/Thinkstock)

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Alessandro Saade

Publicado em 10 de junho de 2022 às, 16h50.

Última atualização em 10 de junho de 2022 às, 16h58.

Por Alessandro Saade*

A evolução da humanidade é construída por meio de ciclos de inovação tecnológica. Negócios disruptivos que mudam o padrão do mercado, gerando novas oportunidades como o Uber e o Airbnb, surgem mais recorrentemente e com abrangência global. No mercado, esses movimentos demandam a contínua evolução dos profissionais, seja no segmento industrial, seja no de serviço.

É importante lembrar que a automação de processos não é algo novo. Desde a Primeira Revolução Industrial, a busca por produção em larga escala é foco de pesquisa nas empresas. A diferença é que esta evolução começou mecânica, passou para elétrica e eletrônica e, hoje, baseia-se em inteligência artificial.

De acordo com o relatório O Futuro do Trabalho 2020, do Fórum Econômico Mundial, em 2025, o tempo gasto em tarefas no trabalho por humanos e máquinas será igual. Além disso, existe a expectativa de que 85 milhões de empregos serão impactados pela automação, enquanto 97 milhões de novos cargos nascerão mais adaptados à nova divisão do trabalho entre humanos, máquinas e algoritmos.

Devido a essa realidade, duas questões fundamentais vêm à tona: como faremos a inserção de jovens em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho automatizado? E quais seriam as políticas públicas fundamentais para assegurar este futuro?

Ambas as questões são complexas e exigem respostas multidisciplinares. Ao analisar experiências passadas da humanidade, em pontos de inflexão, ou seja, com grandes mudanças, nós assistimos à criação de novos empregos, com maior complexidade. Vejamos, por exemplo, as áreas de user experience, ou novas ocupações tecnológicas que estão surgindo. Por isso, não acredito que automação tenha alguma influência negativa sobre o resultado no percentual de contratações. Notem que, segundo o mesmo relatório, o número de novas posições de trabalho criadas é superior ao número de posições impactadas pela transformação tecnológica. As competências socioemocionais continuarão sendo demandadas de forma crescente, gerando diferencial competitivo frente às máquinas.

Mas é imprescindível oferecer aos jovens brasileiros, especialmente aos vulneráveis, capacitação e acesso a competências mais complexas para acesso ao mundo do trabalho. As entidades formadoras têm um grande papel a desempenhar. O jovem deve entender a necessidade  de aprender ao longo da vida. O conceito de lifelong learning prega o aprendizado contínuo, tanto para seu conhecimento pessoal quanto seu desenvolvimento profissional.

De maneira geral, entendo que, dois anos após o início da pandemia, a aprendizagem brasileira está bastante estruturada para oferecer soluções de qualidade para  as empresas, na capacitação dos jovens aprendizes, ainda que muitas entidades formadoras de pequeno porte encontrem dificuldades para desenvolver conteúdos e cursos mais alinhados a este novo momento, buscando operação em rede com entidades maiores.

Apesar da consolidação e força da socioaprendizagem na economia do Brasil, segundo levantamento da Secretaria do Trabalho do Ministério do Trabalho e Previdência, o número de jovens aprendizes contratados é de 462.944, sendo que o potencial de contratação é praticamente o dobro: 934.060.

Essa defasagem ocorre porque diversas empresas não cumprem a lei, que as permitiria ter grandes vantagens ao contratar um jovem curioso e proativo. O não cumprimento da cota pode incorrer em notificação e multa aplicadas pelas Secretarias Regionais do Trabalho e Emprego.

Os recentes movimentos  de alguns setores públicos para modificar a Lei da Aprendizagem colocam em risco uma das mais eficientes políticas públicas de assistência social e inclusão de jovens no mundo do trabalho.

Neste momento, está em discussão em Brasília o Estatuto da Aprendizagem que tem grande chance de garantir a continuidade do programa além de provocar uma evolução em forma e conteúdo, alinhando sua ação aos desafios do futuro do trabalho.

É inadmissível qualquer medida que vise comprometer o impacto da Lei de Aprendizagem. A redução da cota de jovens ou a desestruturação da camada de assistência social que a permeia e garante o seu desenvolvimento profissional e pessoal devem ser combatidas.

*Alessandro Saade é superintendente executivo do Espro (Ensino Social Profissionalizante)

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