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Por Danilo Vicente*

O ano: 1374. O local: Aix-la-Chapelle, hoje Aachen, na Alemanha. O dia: este mesmo 24 de junho. Seiscentos e quarenta e nove anos atrás, a cidade de Aachen registrou o maior surto, que se tem notícia, de coreomania, uma compulsão incontrolável por movimento, uma compulsão por dança... que leva à morte por exaustão.

Também chamado de dançomania, Dança de São João ou Dança de São Vito, o fenômeno social é dos mais curiosos. Até hoje não se sabe exatamente o que leva – ou levava – grandes grupos de pessoas a se contorcerem em movimentos irregulares, mas o caso de Aachen ainda chama atenção por ter se espalhado pela Europa. Na Alemanha, a dança descontrolada chegou a Colônia, partindo para os países vizinhos Bélgica, Holanda, França, Itália e Luxemburgo.

Fora de controle, alguns dos dançarinos derrubaram uma ponte sobre o rio Mosa com a força das coreografias e movimentos bruscos. Sobreviventes foram levados para a Igreja local de São Vito, onde a calmaria retornou. Aí nasceu o outro nome da doença – Dança de São Vito. A mesma versão da história, mas com a igreja dedicada a São João Batista, levou ao nome “Dança de São João”.

Há registros mais antigos e mais novos da dançomania. Outro surto ocorreu em julho de 1518, em Estrasburgo, na França, onde uma mulher começou a dançar na rua e entre 50 e 400 pessoas se juntaram a ela.

A mania de dançar em grupo parece ter desaparecido em meados do século XVII – não do jeito saudável, evidentemente. Os casos mais bem documentados são os surtos de 1374 e 1518, para os quais existem abundantes evidências contemporâneas. 

Hoje, o fenômeno é correlacionado à doença Coreia Reumática de Sydenham – daí o nome coreomania –  transtorno neurológico que afeta a coordenação motora de 20% a 40% dos portadores de febre reumática, mais frequente entre meninas,  crianças e adolescentes. O paciente geralmente apresenta movimentos rápidos, involuntários, esporádicos, com pouca força, que aumentam com o estresse, persistem em repouso e diminuem ao dormir. 

Em tempos modernos, surgiu uma outra mania de dançar – essa nada relacionada a uma doença física, mas, sim, atrelada a um hábito moderno de dançar à frente de um celular e postar em redes sociais. Apesar de a maioria dançar sozinha, há milhares (ou milhões) de pessoas assistindo essa mania que rende alguns milhões – em dinheiro – para “influencers” do TikTok e redes que já o copiam. Cada tempo com a sua “doença”. 

*Danilo Vicente é sócio-diretor da Loures Comunicação

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