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Quando a cultura e o posicionamento antirracista se unem

Especial da TV Cultura, patrocinado pelo grupo Carrefour Brasil, é uma obra musical cheia de suingue e verdades

Por Danilo Vicente*

Terça-feira fui ao cinema assistir à TV Cultura. Estranho? Era o lançamento do especial de fim de ano da emissora, “Auto do Brasil”, exibido em cinco salas do Espaço Itaú de Cinema no Shopping Frei Caneca. A premiere já mostrou o que efetivamente vai ao ar pela emissora em 23 de dezembro, às 22h. É um enorme exemplo de como a cultura pode influenciar a sociedade a adotar um posicionamento antirracista.

Em uma mistura de TV e teatro, o especial, idealizado pelo vice-presidente da TV Cultura, Carlito Camargo, acompanha o racismo presente no dia a dia brasileiro. É de uma beleza estonteante, não apenas no figurino e no palco, mas na dança e no modo como trata o assunto.

“Auto do Brasil” relata, com muito suingue e verdades, a história de um menino negro que cresce na periferia, contada por meio de músicas do álbum “Tiro de Misericórdia”, de Aldir Blanc (16 delas em parceria com João Bosco). São aquelas músicas que ficam na memória ao sair do cinema... ou ao fim do programa de televisão. É o impacto da letra acompanhada pela forte imagem.

Não por acaso, o tema chamou atenção do grupo Carrefour Brasil, que viabilizou o projeto com patrocínio. Desde a morte de um cliente negro em unidade do grupo em 2020, o Carrefour adotou uma posição antirracista — e fechou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público para investir 115 milhões de reais em ações voltadas à causa.

 

“O Carrefour acredita na importância de estimular a arte, a cultura e o entretenimento, e que a obra tem um papel de instigar a reflexão acerca de questões sociais”, diz Stephane Engelhard, vice-presidente de Relações Institucionais da companhia.

Esse papel instigante é uma realidade. E é isso que a cultura promove. Instiga debates e pensamentos, chama atenção e coloca o tema na conversa do almoço.

Na premiere o público era majoritariamente de negros. Assim como é a produção. O elenco tem 12 dançarinos, a ampla maioria negra, coreografados por Tainara Cerqueira, diretora da Companhia de Dança AfroOyá. E a predominância se repete em toda a produção e direção. É assim que a realidade sobre o racismo brasileiro vai para a tela sem erros e sem clichês.

O antirracismo precisa cada vez mais estar no cotidiano brasileiro. A cultura e o posicionamento antirracista se unem em “Alto do Brasil”. Aliás, é um crescente até a cena final, que, preciso ressaltar, é um tapa na cara da sociedade.

*Danilo Vicente é sócio-diretor da Loures Comunicação

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

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