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Opinião: investir no exterior deixou de ser exclusividade de "ricaços"

Impulsionada por inovações como a tokenização, a internacionalização de patrimônio ganha escala entre investidores brasileiros

Ativos digitais e infraestrutura tecnológica facilitam a diversificação do patrimônio em dólar (Canva)

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Publicado em 23 de junho de 2026 às 15h00.

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Por Rafael Pereira*

Diversificar patrimônio internacionalmente deixou de ser uma discussão restrita aos grandes investidores globais e passou a fazer parte da realidade de um público mais amplo. O avanço da tecnologia financeira, a digitalização dos serviços financeiros e o surgimento de novas infraestruturas de acesso a ativos globais reduziram barreiras que, durante décadas, limitaram a participação dos brasileiros nos mercados internacionais.

Nesse processo, a inovação tecnológica desempenha um papel central ao tornar produtos financeiros globais mais acessíveis, eficientes e compatíveis com a realidade dos investidores locais.

O avanço da infraestrutura financeira

Essa evolução não acontece de forma isolada. A ampliação do acesso a investimentos globais está diretamente relacionada ao desenvolvimento da infraestrutura financeira brasileira, hoje reconhecida entre as mais avançadas do mundo em digitalização e inovação regulatória.

Iniciativas como o Pix e o Open Finance, lideradas pelo Banco Central, contribuíram para criar um ambiente que combina segurança, eficiência e maior inclusão financeira. Ao mesmo tempo, o setor continua acelerando seus investimentos em tecnologia para sustentar essa transformação.

Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, realizada pela Deloitte, as instituições financeiras brasileiras previam alcançar R$47,8 bilhões de investimento em tecnologia no último ano, um crescimento de 13% em relação ao volume registrado em 2024.

O levantamento mostra ainda que os investimentos em inteligência artificial, analytics e big data devem avançar 61%, enquanto mais de 80% das instituições financeiras já utilizam IA generativa em suas operações. Nesse contexto, novas infraestruturas baseadas em ativos digitais surgem como uma evolução natural de um sistema financeiro que vem ampliando o acesso da população a oportunidades globais.

Esse cenário sugere que a próxima fase de expansão do mercado financeiro será impulsionada não apenas por investidores experientes, mas por milhões de pessoas que estão iniciando sua jornada de construção patrimonial.

A gestão de risco e o protagonismo do dólar

Não se trata de apostar contra o real ou abandonar investimentos locais. Trata-se de aplicar um princípio básico de gestão de risco: evitar que toda a renda, patrimônio e capacidade de poupança estejam expostos a uma única economia.

Nessa perspectiva, o dólar continua ocupando posição central no sistema financeiro internacional. Segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS), cerca de 90% das operações do mercado cambial global envolvem a moeda americana.

Mesmo em um ambiente de maior multipolaridade econômica, segue como referência para comércio, investimentos e reservas internacionais.

Tecnologia que simplifica e dá acesso

Historicamente, construir exposição ao dólar exigia estruturas complexas. Hoje, a tecnologia está mudando essa lógica. Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostram que o número de fintechs na América Latina quadruplicou entre 2017 e 2023. Mais do que inovação, esse movimento representa a criação de uma nova infraestrutura financeira, capaz de ampliar o acesso a produtos antes restritos a nichos específicos do mercado.

Os ativos digitais são parte importante dessa evolução. Ao permitir a representação digital de moedas e instrumentos financeiros, essas tecnologias reduzem custos, simplificam processos e ampliam o acesso a mercados globais. Dessa forma, o crescimento das stablecoins lastreadas em dólar é um dos exemplos mais evidentes dessa transformação.

O que começou como uma ferramenta associada ao universo cripto passou a atender uma demanda muito mais ampla: acesso digital, simples e eficiente à moeda mais utilizada do mundo.

A partir dessa experiência, a tokenização surge como a próxima grande etapa da evolução, permitindo que diferentes ativos financeiros sejam representados digitalmente, negociados com maior eficiência e acessados por um número cada vez maior de investidores.

Com isso, o movimento revela que a demanda não é necessariamente por tecnologia, mas por acesso.

Democratização das finanças globais

Assim como o Pix democratizou a movimentação financeira no Brasil, novas infraestruturas digitais estão ampliando o acesso a ferramentas de internacionalização patrimonial. Estratégias que antes exigiam estruturas sofisticadas passaram a se tornar acessíveis para uma parcela muito maior da população.

A discussão central, portanto, não é investir ou não em dólar, mas sim o quão diversificado e protegido seu patrimônio está. A questão mais relevante é compreender que a construção de patrimônio está se tornando cada vez mais global, diversificada e acessível a todos.

*Rafael Pereira é co-fundador da Zeom

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