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Consumidor faz venda de cigarro eletrônico dobrar a cada 2 anos no país

Embora a venda do produto ainda seja proibida no país, consumidores trocam o cigarro tradicional pelo dispositivo para reduzir o vício ou parar de fumar

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A engenheira Luiza Peixoto, que substituiu o cigarro tradicional pelo eletrônico (Divulgação/Divulgação)

A engenheira Luiza Peixoto, que substituiu o cigarro tradicional pelo eletrônico (Divulgação/Divulgação)

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Bússola

Publicado em 24 de fevereiro de 2022 às, 18h42.

Última atualização em 24 de fevereiro de 2022 às, 18h58.

A engenheira química Luiza Peixoto fumava um maço de cigarros por dia. Por causa de uma cirurgia, foi incentivada por seu médico a parar. “Eu gostava de fumar, e o cigarro me dava prazer, mas percebi que parar só para a cirurgia não era o que eu queria”. Foi através da indicação de um amigo que ela conheceu os cigarros eletrônicos, experimentou, gostou e em uma semana estava adaptada ao dispositivo, deixando de vez o cigarro tradicional.

Luiza é uma entre os mais de 2 milhões de brasileiros que usam cigarros eletrônicos. Segundo estimativas do Ipec Pesquisa, esse número dobra a cada dois anos, apesar de o produto ter sua venda proibida por não ser regulamentado no Brasil. Os Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), mais conhecidos como cigarros eletrônicos, estão atualmente em processo de revisão dessa regulamentação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Outros países, como Estados Unidos e Inglaterra, já regularam a produção e comercialização desse tipo de produto, com base em estudos clínicos que têm consolidado o cigarro eletrônico como alternativa de menor dano.

Um destes estudos, realizado em conjunto pelas universidades de Nebraska e de São Francisco (EUA) e que contou com 3.211 participantes, concluiu que os vapers têm níveis consideravelmente reduzidos de toxinas quando comparados ao cigarro comum, concluindo que é uma alternativa que oferece menos riscos aos fumantes. Os autores alertam, porém, que o uso duplo (cigarro eletrônico e cigarro comum) ainda acontece, o que elimina as vantagens para o consumidor.

Em outro estudo, realizado pelo The Replica Project Group e publicado pela revista Nature, células humanas do epitélio brônquico (parte do sistema respiratório) foram expostas ao vapor tanto dos dispositivos eletrônicos quanto do cigarro comum. Os pesquisadores determinaram que cerca de 80% das substâncias tóxicas associadas ao cigarro estavam presentes apenas no produto tradicional, concluindo que os cigarros eletrônicos são uma alternativa que oferece muito menos dano aos consumidores.

Adesão

Apesar da proibição no Brasil, cada vez mais pessoas têm utilizado as novas categorias como uma alternativa para reduzir ou até mesmo parar de fumar.

“Eu fumava cigarros mentolados. A melhor opção foi trocar inicialmente pelos eletrônicos com sabor de tabaco, para facilitar a adaptação”, conta a fluminense de 28 anos. Após a substituição, Luiza afirma ter sentido mais disposição para atividades físicas e melhora no sono, além da redução no número de vezes que utiliza o produto. “Curiosamente eu passo horas sem fumar e não sinto mais tanta necessidade”, diz.

A proibição do produto no país é um problema para ela. “Por se tratar de produto ilegal, sei que é fruto de contrabando e isso me traz uma sensação desconfortável”, confessa. Luiza acredita que a utilização deve ser regulamentada de uma forma que garanta o uso de sabores e que a carga tributária não torne o produto inacessível. “Se o imposto for muito alto, as pessoas vão continuar comprando produtos ilegais”, afirma.

Consumidor de vaporizadores há sete meses, Wagner Tadeu, de 43 anos, frequentava sessões de carteado quando um primo apareceu com a novidade. “Não experimentei de imediato. Fui pesquisar e entender o que eram esses produtos”, conta. Ele fumou cigarros tradicionais por muitos anos e se animou com a possibilidade de ter uma alternativa potencialmente mais segura. “Regulamentado ou não, eu gostei do produto, da variedade de sabores, me sinto melhor e vou continuar usando”.

Wagner tem consciência de que o melhor a fazer é parar de fumar. Mas os cigarros eletrônicos lhe trouxeram mais qualidade de vida do que quando fumava o tradicional.

“Não cheiro a cigarro, sinto que meu hálito melhorou e parece que até meus batimentos cardíacos estão mais tranquilos. Atividades caseiras simples, como subir e descer escadas, ficaram bem mais fáceis”, explica. Interessado nas pesquisas sobre o assunto, Wagner afirma que os cigarros eletrônicos são até 95% menos prejudiciais à saúde do que os cigarros tradicionais. “Li bastante a respeito e concluí que é o melhor a ser feito por quem não quer parar de fumar”.

Segundo ele, a revisão da regulamentação deve incluir a liberação dos líquidos com sabor e aroma, porque mais fumantes se interessariam em migrar para essas alternativas potencialmente mais seguras. “O próximo passo é poder adquirir um produto que seja regulamentado e fiscalizado por um órgão do governo”.

Informação

Conhecedor profundo dos cigarros eletrônicos, Alexandro Lucian é editor do Vapor Aqui, um canal especializado no tema. Ele fumou cigarros tradicionais por 15 anos, chegando a consumir até três maços por dia. “Por incontáveis vezes, tentei parar de fumar e não consegui. Utilizei medicamentos, adesivos, goma de mascar, apoio psicológico e força de vontade. Sei que muitas pessoas conseguem com esses recursos, que são muito válidos, mas a minha experiência foi diferente e eu decidi continuar fumando”.

Certo dia, um amigo apresentou a ele o cigarro eletrônico dizendo que o produto poderia ser uma alternativa para ajudá-lo a parar de fumar. “Depois que conheci os vaporizadores, nunca mais fumei um cigarro tradicional”. Com o tempo, Alexandro percebeu que muitas pessoas também buscavam informações sobre os produtos e o consultavam com questões básicas.  Passou então a dividir a sua experiência no blog Vapor Aqui, que virou canal de vídeos e segue prestando informações aos adultos fumantes que querem novas alternativas aos cigarros.

“O cigarro eletrônico melhorou muito a minha vida”. Alexandro afirma que a política de redução de danos do cigarro, através do uso dos dispositivos eletrônicos, é uma realidade comprovada em diversos países, inclusive por estudos científicos de alta credibilidade, que comprovam se tratar de um produto capaz de auxiliar fumantes a pararem de fumar. “E eu conheço muitos que já conseguiram.”

Estresse

O triatleta e influenciador digital Willian Delon, 27, tentou de tudo para parar de fumar. Medicamentos, adesivos, vontade própria, mas nada disso resolveu. “Cada tentativa era um stress e eu descontava fumando ainda mais cigarros”, relata. Quando conheceu os eletrônicos, viu no produto uma alternativa melhor.

“Eu sei que parar de fumar é o mais indicado, mas reduzir os danos já é um passo muito importante pra mim”. Willian é consumidor dos eletrônicos há quatro anos. Para quem tem interesse em fazer essa transição, a fórmula que ele indica é começar pelos aromatizados com tabaco. “O sabor remete ao cigarro tradicional e isso facilita a adaptação inicial”.

O triatleta diz que a melhora do seu rendimento nos esportes foi perceptível. “Estou sempre disposto, meu olfato melhorou e o paladar está mais aguçado, então me sinto bem melhor”. Delon segue buscando informação de fontes confiáveis sobre o tema e hoje é responsável pelo canal Vapore, também voltado aos consumidores de cigarros eletrônicos.

O único ponto de preocupação para ele é o produto não estar regulamentado. “A gente se sente meio que criminoso, as pessoas parecem que te olham, te julgam, é muito ruim não ter o produto regulamentado”, afirma. Willian sente que o preconceito é grande, mas que a desinformação é ainda maior. “Quero um produto que traga redução de danos. Se não regulamentar, eu vou ficar muito frustrado”.

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