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Por João Paulo Magalhães*

Para além de locais de destinação de corpos e memoriais para homenagear entes queridos, os cemitérios desempenham diversas outras funções menos conhecidas e comentadas. Pouco se fala sobre o valor desses espaços sob a visão do urbanismo, já que podem exercer papel de patrimônio histórico da cidade, de locais recreativos, de parques e de ambientes que favorecem a conservação da natureza, por exemplo.

Os cemitérios são partes importantes do tecido urbano há séculos, influenciando o modo como as cidades se desenvolvem e como os moradores se relacionam com a morte. Historicamente, sempre foram comuns no Brasil. Só na cidade de São Paulo existem 22 unidades atualmente. Além disso, enterrar os mortos ainda é uma prática amplamente associada à nossa cultura. Segundo informações do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep), somente cerca de 9% dos corpos no país são cremados.

Aspectos culturais

No passado, os cemitérios eram vistos como espaços sagrados que abrigavam os restos mortais de entes queridos. A localização desses ambientes era cuidadosamente escolhida, muitas vezes em áreas rurais ou periféricas. Ao longo dos anos, com a urbanização e a pressão do crescimento populacional, tornaram-se cada vez mais integrados às cidades.

Hoje, podem ser utilizados para beneficiar a qualidade de vida e enriquecer a história e cultura local. Muitos deles contam com exposição de obras de arte e são considerados cartões-postais de um município.

Os cemitérios têm uma longa história, que reflete crenças e valores. São ainda locais de peregrinação. Um exemplo disso é o Cemitério São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro, fundado em 1851. Trata-se da maior necrópole do estado e uma das maiores do Brasil, com área de mais de 440 mil metros quadrados.

A influência desses espaços nos padrões urbanos ainda pode ser vista em outros aspectos. Muitos foram construídos em locais acessíveis apenas por transporte público. Isso levou ao desenvolvimento de rotas de ônibus e de trem que serviam as áreas, o que ajudou a criar mais conectividade entre as cidades.

Outra questão é o valor para a arquitetura e o design. A construção desses ambientes teve impacto significativo na forma como os municípios foram moldados. Diversos cemitérios foram projetados como grandes parques, com paisagismo bem cuidado e áreas verdes abertas. 

Em geral, as necrópoles exercem força expressiva para o desenvolvimento e crescimento das cidades. São partes integrantes do tecido urbano e têm influências que vão além de um simples local de sepultamento.

*João Paulo Magalhães é sócio do Grupo Colina dos Ipês

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