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Prejuízos com extremos climáticos no Brasil somam R$ 502,4 bilhões em 30 anos

O Rio Grande do Sul, região que vive uma tragedia ambiental inédita na história recente do país, somou sozinho R$ 100,706 bilhões no período

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 11 de maio de 2024 às 12h08.

Última atualização em 11 de maio de 2024 às 14h14.

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O Brasil registrou um prejuízo de R$ 502,438 bilhões nos últimos 30 anos por eventos extremos climáticos, segundo dados do estudo realizado pelo engenheiro florestal e doutor pela UNESP, Marcos Kazmierczak, e obtido com exclusividade pela EXAME.

A quantia bilionária perdida pela economia nacional equivale a quase uma Petrobras, que fechou o último pregão com valor de mercado de R$ 563,18 bilhões.

O Rio Grande do Sul, região que vive uma tragedia ambiental inédita na história recente do país, somou sozinho R$ 100,706 bilhões no período, com impacto em todas as cidades do estado. A pesquisa não considera estimativas das chuvas desse ano. A projeção parcial passa de R$ 500 milhões. 

O levantamento utiliza dados do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil da Universidade de Santa Catarina. A universidade levantou todos os decretos municipais de calamidade pública emitidos entre 1993 e 2022 e o pesquisador consolidou os valores de prejuízo informado pelas administrações municipais.

O estudo considera como prejuízo destruição de casas e prédios e o impacto financeiros em setores da economia, como o agronegócio, agropecuária, serviços, indústria e infraestrutura pública.

O montante cresceu 1.519% no consolidado do período. Entre 1993 e 2002, o país teve R$ 19,573 bilhões de prejuízos com eventos. De 2003 a 2012, o valor passou para R$ 165,964 bilhões, até chegar a R$ 316,902 bilhões entre 2013 e 2022.

A pesquisa separa os eventos extremos em quatro categorias:

  • Climatológico: Estiagem, seca, incêndio florestal, onda de calor, baixa umidade e onda de frio.
  • Meteorológico: granizo, vendavais, ciclones e tornados
  • Hidrológico: alagamento, chuva intensa, enxurrada, inundação e movimenta de massa (deslizamentos)
  • Outros: Doenças infecciosas, erosão, colapso de barragem e outros

Os dados mostram que os eventos mais que dobraram em 30 anos, saltando de 9.772 entre 1993 e 2002 para 30.602 entre 2013 e 2022. O total de extremos climáticos nas últimas três décadas chegou a 61.280.

Do consolidado total, cerca de 30.765 foram climatológicos, 5.819 foram meteorológicos, 23.199 hidrológicos e 1.497 classificados como outros. O aumento mais significativo foi para os eventos hidrológicos, que saltaram 300% no período.

"É extremamente importante ter a certeza que os eventos serão cada vez mais recorrentes e que precisamos pensar em minimizar os impactos. É necessário começar a pensar em adaptação e mitigação. Hoje, temos a eterna visão da resposta", afirma Marcos Kazmierczak em conversa com a EXAME.

Nordeste e Sul são as regiões com mais eventos extremos climáticos

A região Nordeste registrou 38,73% dos eventos extremos nos últimos 30 anos, seguida pelo Sul, com 27,89% e o Sudeste, com 22,25%. O Norte e o Centro-Oeste concentram, juntas, menos de 11% dos eventos no período.

Os dados mostram ainda que 5.134 dos 5.570 municípios registraram algum evento climático nas últimas três décadas. Cerca de 80% dos desastres climáticos se concentraram em 45% das cidades brasileiras.

Mesmo em segundo no número total de eventos no Brasil, o Sul lidera a fatia de prejuízo na comparação entre as regiões, sendo 36,22% do total, cerca de R$ 181 bilhões em 30 anos. Em termos de comparação, o montante é de 28,28% do PIB gaúcho de 2023, que totalizou R$ 640 bilhões.

"O recado está dado. Os extremos não serão um privilégio do Rio Grande do Sul. Imagine se o que choveu na Grande Porto Alegre se repetir na Grande São Paulo? Acaba com uma capital que tem um impacto gigantesco para a economia de todo o país", afirma Kazmierczak.

O levantamento mostra ainda que em todo o país 3,7 milhões de casas foram destruídas ou danificadas. O número saltou mais de 1.000% nas últimas três décadas, saltando de 185 mil entre 1993 e 2002 para 2 milhões de 2013 a 2022.

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