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MPF: organização transportou ilegalmente 444 brasileiros para os EUA

Oito pessoas foram denunciadas pelo por transporte ilegal de brasileiros para os EUA e lavagem de R$16,5 mi

MPF: organização transportou ilegalmente 444 brasileiros - um terço deles, menores de idade - para os EUA (John Moore/Getty Images/Getty Images)

MPF: organização transportou ilegalmente 444 brasileiros - um terço deles, menores de idade - para os EUA (John Moore/Getty Images/Getty Images)

Izael Pereira
Izael Pereira

Reporter colaborador, em Brasília

Publicado em 13 de abril de 2023 às 15h05.

Última atualização em 13 de abril de 2023 às 15h11.

O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta quinta-feira, 13, que uma organização criminosa transportou 444 brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos (EUA) de 2019 a 2022. Do total, quase um terço deles eram menores à época da viagem. A denúncia, apresentada em 20 de março e publicizada nesta quinta, 13, aponta oito pessoas como responsáveis por transportar os brasileiros aos EUA. Além de responder pelo transporte ilegal, elas também responderão por lavagem de dinheiro, em valores que ultrapassam R$16 milhões, e por organização criminosa.

O MPF informou que, de acordo com as investigações, os integrantes da organização cobravam entre R$60 mil e R$70 mil por pessoa (valores recentemente apurados) para levá-las do Brasil até os EUA. Com o esquema, eles teriam movimentado, de maneira ilegal e não declarada, aproximadamente R$16,5 milhões em 45 contas bancárias entre janeiro de 2017 e agosto de 2021.

Quem são os coiotes?

O procurador da República Reginaldo Trindade afirma que o grupo, que atuava a partir de Rondônia, “era altamente organizado e de caráter transnacional, atuando no contrabando de brasileiros tendo como rota o México até a entrada irregular nos Estados Unidos”.

A organização, de acordo com a denúncia, incluía sócios, funcionários e colaboradores da empresa de turismo Voe+Turismo, com sede em Buritis (RO) - a 321 quilômetros da capital Porto Velho -, além de outras pessoas atuantes nos EUA e no México e colaboradores que atuavam nos trâmites burocráticos de emissão de passaportes brasileiros, com o apoio e suporte de "coiotes".

Para Reginaldo Trindade, autor da ação penal, “a forma de operação do crime organizado está cada vez mais sofisticada". "Uma quadrilha, do interior do Estado de Rondônia, patrocinando, ilegalmente, a entrada de pessoas nos Estados Unidos e movimentando milhões neste negócio. É um esquema surreal e criminoso. Os responsáveis terão que responder na Justiça", diz o procurador em nota.

Agentes infiltrados e operação Yankee

Segundo o MPF, a operação, chamada de Yankee, foi a primeira e única no Brasil, até o momento, que utilizou a infiltração de agentes policiais, com autorização judicial, em organizações criminosas que atuam na migração ilegal de brasileiros. A operação teve início em 2021, a partir de documento enviado pela agência americana US Border Patrol sobre a abordagem a um cidadão brasileiro em El Paso, no Texas. Ele informou receber ajuda de outros para entrar ilegalmente no país.

Durante a operação, os policiais infiltrados conversaram por meio de mensagens via WhatsApp com dois dos envolvidos e conseguiram indícios suficientes da autoria e participação dos denunciados, além de informações sobre a divisão de tarefas na organização, valores cobrados, logística do transporte e dados do processo de lavagem do dinheiro.

A operação, que levou à prisão e desmantelamento da organização, foi deflagrada em 13 de fevereiro deste ano nos estados de Rondônia, Amazonas, Goiás e Tocantins para o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão preventiva. Dos oito denunciados, três encontram-se em prisão preventiva, um em prisão domiciliar e um com monitoração eletrônica. Há, ainda, um mandado de prisão preventiva decretado e ainda não cumprido para um dos denunciados.

Qual era a rota que os imigrantes ilegais faziam?

De acordo com as investigações, a rota de imigração ilegal simulava uma viagem de ida e volta do Brasil para o México. Para não levantar suspeitas, eram emitidas as passagens e as reservas em um hotel na Cidade do México.

Do hotel na capital Mexicana, os brasileiros eram levados para a rodoviária da cidade onde pegavam um ônibus para Tijuana. Chegando a Tijuana, se iniciava a parte que é considerada a mais perigosa do roteiro ilegal: a travessia a pé até fronteira dos EUA. Essa é uma das rotas de imigração ilegal mais comum para entrar nos EUA, onde as tensões envolvendo esse movimento migratório crescem há anos.

Em fevereiro, o governo do presidente dos Estados UnidosJoe Biden, propôs novas restrições ao acesso ao asilo para os migrantes na fronteira com o México, obrigando-os a solicitá-lo nos países por onde transitam ou online.

Quais são os riscos de imigrar ilegalmente?

Ao tentar entrar ilegalmente no país americano, segundo o MPF, estrangeiros podem sofrer punições e sofrer com situações adversas como:

  • Detenções prolongada;
  • Desaparecimentos;
  • Separação familiar, inclusive de criança;
  • Falta de água e de comida;
  • Aliciamento por traficantes;
  • Violações de direitos humanos;
  • Morte por fadiga, afogamento, desnutrição, violência física entre outras situações.

Por quais crimes os denunciados responderão?

O Ministério Público Federal requereu à Justiça o recebimento da denúncia e a posterior condenação dos denunciados pelos seguintes crimes:

  • Promover, constituir, financiar ou integrar organização criminosa;
  • Promover migração ilegal, nesse caso, a entrada ilegal de brasileiro em país estrangeiro; e
  • Lavar ou ocultar bens e valores.
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