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Abstenção, brancos e nulos: quem decide o 2º turno?

Entenda como abstenções, votos brancos e nulos influenciam a disputa presidencial de 2026 e por que apenas os votos válidos definem o vencedor

 (Alejandro Zambrana/Secom/TSE/Divulgação)

(Alejandro Zambrana/Secom/TSE/Divulgação)

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 12h06.

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A abstenção eleitoral atingiu, em 2026, o maior patamar em números absolutos desde a redemocratização, em 1988. No primeiro turno, realizado no domingo, 4 de outubro, mais de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas.

O número corresponde a 21,08% do eleitorado apto a votar e ajuda a dimensionar o desafio dos candidatos para o segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro. Apesar do recorde, esse índice foi um pouco superior aos 20,9% registrados em 2022.

Segundo levantamento da EXAME sobre os estados com maior abstenção nas eleições de 2026, a ausência dos eleitores variou entre as unidades da Federação. 

Lideraram esse índice: Mato Grosso do Sul, com 23,87% de abstenção, Rio de Janeiro, com 23,32%, Minas Gerais, com 22,81%, São Paulo, com 22,54%, e Mato Grosso, com 22,20%.

Flávio Bolsonaro, Lula e a abstenção

O recorde de abstenções pode influenciar a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Para o cientista político Antônio Lavareda, Lula perdeu votos para a abstenção, e não para Flávio Bolsonaro.

Apesar do peso potencial desse grupo, a participação dos eleitores que faltaram à primeira votação não garante vantagem para nenhum dos candidatos.

O resultado dependerá de quantos ausentes voltarão às urnas e de como os eleitores distribuirão seus votos entre os dois concorrentes.

Abstenção e 2º turno

Historicamente, a participação tende a diminuir na segunda votação: entre 2002 e 2018, a abstenção aumentou em todos os segundos turnos presidenciais. A exceção recente foi 2022, quando o índice recuou de 20,9% para 20,6%, em meio à disputa entre Lula e Jair Bolsonaro.

Em 2010, a elevação chegou a aproximadamente 3,4 pontos percentuais; em 2014, foi de 1,7 ponto; e, em 2018, de 1 ponto. O histórico indica, portanto, que uma mobilização adicional do eleitorado, como a registrada em 2022, é possível, mas não representa a regra das últimas eleições.

Eleição1º turno2º turnoVariação (p.p.)
200217,7%20,5%+2,8
200616,8%19,0%+2,2
201018,1%21,5%+3,4
201419,4%21,1%+1,7
201820,3%21,3%+1,0
202220,9%20,6%−0,3
202621,08%——

Fonte: TSE. Valores históricos arredondados. Segundo turno de 2026 ainda não realizado.

O desafio é particularmente relevante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao programa Eleições em Pauta, da EXAME, Lavareda avaliou que o desempenho do petista abaixo do esperado no primeiro turno esteve associado à maior abstenção entre eleitores de baixa escolaridade, segmento em que Lula concentrava parte importante de seu apoio.

Segundo Lavareda, o presidente teria perdido votos para a abstenção, e não necessariamente para Flávio Bolsonaro (PL). Recuperar esses eleitores, porém, não será simples.

Pesquisa Real Time Big Data logo após o primeiro turno mostrou que apenas 22% dos entrevistados que não votaram no primeiro turno consideravam comparecer ao segundo; outros 78% afirmavam que certamente ou provavelmente voltariam a faltar.

Os resultados sugerem que a capacidade de mobilizar eleitores ausentes poderá ser tão relevante quanto a conquista dos votos destinados a candidatos derrotados.

Há ainda um componente geográfico nessa disputa. A ausência de segundo turno para governador em quase todos os estados pode reduzir os incentivos à mobilização local, sobretudo em municípios menores.

Um estudo do BTG Pactual publicado pela EXAME em setembro mostrou que, entre 2002 e 2022, estados sem disputa estadual tiveram, em média, aumento 1,1 ponto percentual maior na abstenção presidencial.

Entretanto, o efeito praticamente desaparece nas eleições mais recentes quando os resultados são ponderados pelo tamanho do eleitorado. Isso sugere que a ausência de uma campanha estadual não é suficiente, isoladamente, para antecipar um aumento expressivo da abstenção.

Para Lula e Flávio, o fator decisivo será a capacidade de levar às urnas seus próprios apoiadores, especialmente aqueles que não compareceram em 4 de outubro. Em uma eleição apertada, pequenas diferenças de participação entre regiões e grupos sociais podem alterar o resultado nacional

O que é abstenção eleitoral?

A abstenção ocorre quando um eleitor apto a votar não comparece à seção eleitoral. Nesse caso, o voto não é registrado para nenhum candidato.

A ausência pode ocorrer por diferentes motivos, como problemas de saúde, distância do local de votação ou compromissos pessoais. Para quem tem obrigação de votar, a falta exige justificativa à Justiça Eleitoral ou regularização posterior, conforme as regras e os prazos estabelecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No segundo turno, os eleitores que não compareceram à primeira votação podem voltar às urnas.

A participação desse grupo pode alterar a distribuição dos votos válidos entre os dois candidatos, mas não é possível prever antecipadamente qual candidatura será beneficiada.

Quem precisa regularizar a ausência pode consultar o procedimento no portal do TSE.

Qual é a diferença entre voto branco e voto nulo?

O voto em branco ocorre quando o eleitor seleciona a tecla “Branco” na urna eletrônica e confirma a escolha. Já o voto nulo é registrado quando a pessoa digita um número que não corresponde a nenhuma candidatura válida e confirma o voto.

Embora sejam formas diferentes de registrar uma opção que não escolhe um candidato, os dois têm o mesmo efeito na apuração: não são considerados votos válidos.

Isso significa que votos brancos e nulos não são transferidos para nenhum candidato e não entram no cálculo usado para determinar o vencedor.

Quem decide o segundo turno?

O vencedor será o candidato que receber mais votos válidos no domingo, 25 de outubro. Na prática, a definição depende da quantidade de votos registrados para cada concorrente, sem incluir brancos e nulos.

A participação dos eleitores que não compareceram no primeiro turno pode influenciar o resultado. O mesmo vale para quem escolheu candidatos que não avançaram para a segunda etapa e agora precisa decidir entre os dois finalistas.

No entanto, abstenções, votos brancos e votos nulos não são automaticamente contabilizados em favor de nenhum dos concorrentes. A influência desses grupos depende das decisões individuais dos eleitores que comparecerem às urnas.

A votação do segundo turno é independente da primeira etapa. Os votos registrados em 4 de outubro não são somados aos da nova rodada.

Quem é obrigado a votar no segundo turno?

O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados com idade entre 18 e 70 anos.

Para pessoas de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos, o voto é facultativo. A obrigação de votar continua no segundo turno, mesmo para quem compareceu às urnas na primeira etapa. 

Acompanhe tudo sobre:Eleições 2026

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