Na Coreia do Sul, a exportação de carne bovina depende de um relançamento formal das negociações, com participação da Presidência da República. (Hispanolistic/Getty Images)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 07h00.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo, 15, para a Ásia com um grupo de empresários para destravar negociações do agronegócio brasileiro, com foco inicial em Índia e Coreia do Sul.
Em Nova Deli, capital da Índia, Lula deve se reunir com o primeiro-ministro Narendra Modi a partir do dia 18 — a viagem marca a quarta visita de Lula à Índia e a segunda no atual mandato.
Na agenda, o Brasil pretende avançar na abertura do mercado indiano para o feijão-guandu (Cajanus cajan), conhecido no país como Arhar Dal ou Tur Dal, um grão de grande importância para a Índia por razões nutricionais, agrícolas e econômicas.
O interesse do governo ocorre em um momento de fortalecimento da relação comercial entre os dois países. Em 2025, a Índia se tornou o 10º destino das exportações brasileiras. No mesmo período, o país asiático foi o terceiro maior fornecedor de óleos combustíveis.
A missão presidencial faz parte da estratégia do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para ampliar e destravar mercados na Ásia. A rodada de encontros ficará a cargo do Ministro Carlos Fávaro e de Luis Rua, secretário de Relações Internacionais da pasta, que afirma haver otimismo com o avanço da pauta.
Segundo Rua, o foco está em intensificar aberturas e ampliações de mercado em países como Índia, Coreia do Sul, Japão e China no primeiro trimestre de 2026.
“Já temos visitas agendadas para Índia e Coreia do Sul. No Japão, em março esperamos a missão técnica para a auditoria final, que vai deve liberar as exportações de carne bovina de três estados do Sul”, afirmou à EXAME.
Na Índia, a prioridade é concluir o protocolo sanitário para exportação de feijão-guandu. “Se confirmada, a abertura deve elevar em até 15% as exportações totais brasileiras do grão já no primeiro ano”, disse Rua. Há ainda diálogos sobre genética animal, com interesse em raças como Nelore e Brahman.
A participação da Ásia (excluindo o Oriente Médio) nas exportações do agro cresceu 2,2% em 2025 em relação a 2024, atingindo 49,5% do total. Em valores absolutos, os embarques atingiram 84 milhões de dólares — alta de 5,3%.
Embora o Mapa ainda não tenha estimativas sobre o potencial dos novos mercados asiáticos, Rua acredita que o país deverá ultrapassar a marca de 550 mercados abertos já no primeiro trimestre.
Na Coreia do Sul, a exportação de carne bovina depende de um relançamento formal das negociações, com participação da Presidência da República. No ano passado, o governo brasileiro chegou a iniciar tratativas com o país asiático, mas, por razões políticas internas na Coreia do Sul, as conversas não avançaram.
Já a carne suína enfrenta uma limitação geográfica: atualmente, apenas Santa Catarina pode exportar.
O objetivo, segundo o secretário, é estender a autorização a outros estados livres de febre aftosa sem vacinação. A uva também aparece como oportunidade, com tratativas em fase de aprofundamento técnico.
No caso da China, o principal ponto é o impasse em torno das cotas tarifárias sobre a carne bovina, impostas no fim de 2025.
“A primeira missão é resolver o impasse das cotas, mas já estamos em negociação desde o dia 2 de janeiro”, afirmou Rua.
Entre as prioridades, ele cita o DDG (grãos secos de destilaria), coproduto do milho com valor agregado, além de avanços em miúdos suínos e bovinos, habilitações para farinhas de origem bovina e ampliação de embarques de feijão e arroz.