Carne bovina: Em 2025, o Brasil embarcou cerca de 3,1 milhões de toneladas de carne bovina in natura. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 5 de maio de 2026 às 16h29.
O Brasil pode registrar uma queda de até 10% nas exportações de carne bovina em 2026, segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). A retração está ligada principalmente à redução das compras da China e à dificuldade de abertura de novos mercados no curto prazo.
“Se mantivermos esse cenário, as exportações devem cair até 10%. Não há um mercado que substitua o mercado chinês”, afirmou Perosa em almoço com jornalistas nesta terça-feira, 5. Segundo ele, o Brasil exporta para mais de 170 países, mas poucos têm capacidade de absorver volumes significativos.
O principal fator por trás da queda está nas cotas da China, estabelecidas pelo país asiático em dezembro de 2025. No fim do ano, o governo chinês anunciou tarifas extras de 55% sobre importações de carne bovina que ultrapassarem os limites definidos.
Para 2026, a cota total será de 2,7 milhões de toneladas, sendo 1,1 milhão destinadas ao Brasil, o equivalente a 41,1% — a medida busca proteger produtores locais diante da concorrência internacional
Em 2025, a China respondeu por cerca de metade das exportações brasileiras, com aproximadamente 1,7 milhão de toneladas embarcadas. Com a redução desse volume para algo próximo de 1 milhão, o impacto tende a ser relevante, segundo Perosa.
A expectativa do setor era de que o recuo nas exportações de carne bovina fosse mitigado com a abertura de novos mercados, como Japão, Coreia do Sul e Turquia, mas as negociações enfrentam entraves técnicos e políticos.
No caso japonês, ainda há etapas sanitárias pendentes, enquanto a Coreia do Sul depende de aprovação legislativa. Já a Turquia impõe exigências sanitárias consideradas inviáveis no curto prazo. Sem avanços nessas negociações, a tendência é de retração nas exportações, especialmente no segundo semestre.