Produção de café: aumento na produção é influenciado pela expansão de 4,1% na área cultivada, estimada em 1,9 milhão de hectares nesta temporada. (Freepik)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 09h56.
Última atualização em 5 de fevereiro de 2026 às 09h58.
A produção brasileira de café deve crescer 17,1% em 2026 em relação a 2025, alcançando 66,2 milhões de sacas de 60 quilos. A projeção é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta quinta-feira, 5. Se confirmado o resultado, o país deve renovar o recorde registrado em 2020, quando foram produzidas 63,1 milhões de sacas.
O aumento na produção é influenciado pela expansão de 4,1% na área cultivada, estimada em 1,9 milhão de hectares nesta temporada, segundo o órgão.
Segundo a Conab, o crescimento da produção tem como base, além do ciclo de bienalidade positiva, a entrada de novas áreas em produção, o maior uso de tecnologias e insumos e as condições climáticas mais favoráveis.
A bienalidade positiva do café é o ano do ciclo produtivo em que a lavoura apresenta alta produtividade, superando a safra do ano anterior. Esse fenômeno fisiológico ocorre porque a planta alterna anos de alta carga de frutos com anos de menor produção, resultando, na fase de alta, em uma colheita mais abundante e rentável para o produtor.
Comparada à safra de 2024 — também considerada de bienalidade positiva —, quando foram produzidas 54,2 milhões de sacas, a safra de 2026 apresenta um expressivo aumento de 22,1%.
A Conab projeta uma colheita de 44,1 milhões de sacas de café arábica, um crescimento de 23,3% em relação ao ciclo anterior. A alta é explicada pelo aumento da área em produção, pelas condições climáticas mais favoráveis e pelo efeito da bienalidade.
A produção de café conilon também deve crescer, com expectativa de 22,1 milhões de sacas — alta de 6,4% em relação a 2025. O aumento é atribuído à expansão da área cultivada e ao clima favorável observado até o momento. A tendência de crescimento atinge ambas as variedades de café.
Em Minas Gerais, principal estado produtor do país, a produção é estimada em 32,4 milhões de sacas. Em São Paulo, importante produtor de arábica, a expectativa é de uma safra de 5,5 milhões de sacas. Na Bahia, o crescimento previsto é de 4%, com estimativa de 4,6 milhões de sacas colhidas, projeta a Conab.
Com o aumento na produção, a expectativa é de que os preços do café caiam 5,3% em 2026, estima Francisco Pessoa Faria, pesquisador associado da FGV Ibre, braço de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Em 2025, os preços do café estiveram entre os principais vilões da inflação. O café moído acumulou alta de 35,68%, enquanto o solúvel subiu 25,5%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a valorização do café no varejo tende a seguir em ritmo moderado, com exceção de categorias específicas, como os cafés gourmets e superiores, que ainda podem apresentar oscilações, dependendo do comportamento do consumidor.
“O clima mais estável pode favorecer o abastecimento e evitar pressões inflacionárias no varejo”, afirma Celírio Inácio, diretor-executivo da entidade.
Para a Abic, após variações acentuadas nos últimos anos, a indústria do café projeta um cenário de preços mais estáveis em 2026, sustentado por uma safra considerada positiva e por condições climáticas mais regulares.