As empresas podem contribuir com dinheiro, gestão e um sonho

Do Açaí Valley, em Belém, ao Magazine Luiza, empreendedores estão mais ativos na transformação de suas cidades e do país
 (Calan Sanderson/Divulgação)
(Calan Sanderson/Divulgação)
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Lucas Amorim

Publicado em 15/04/2021 às 05:35.

Última atualização em 20/04/2021 às 11:48.

O Brasil chegou a meados de abril com apenas 4% de sua população tendo recebido a segunda dose da vacina contra a covid-19. Chega também com recordes sucessivos de mortes, assim como com notícias devastadoras de falta de insumos para o tratamento. O desemprego segue em níveis elevados e as perspectivas de crescimento econômico, infelizmente, vêm sendo puxadas para baixo. Na clivagem política que dá o tom de nossos dias, apoiadores do governo e o grupo crescente de críticos comparam dados para mostrar se o Brasil está melhor ou pior que outros países na forma como lida com a pandemia. É um debate inócuo. Precisamos melhorar urgentemente o combate à doença, e precisamos muito mais do que isso. A pandemia é o prego que faltava numa década perdida na economia e complica a tarefa de mirar pautas mais construtivas. 

Esta edição da EXAME chega até você com um conjunto de reportagens que mostram que podemos, como país, ser mais ambiciosos. O empresário Ricardo Semler, em entrevista especial, diz que “não há nada de bonito, importante ou animador sendo discutido por aqui”. Semler olha para um ambiente realmente carregado. Mostramos, porém, que há setores, personagens e empresas que fogem à regra. O agronegócio brasileiro já mira 2030, em novos atos de uma revolução que não pode parar.

O desafio é mostrar que os melhores conseguirão puxar para cima a barra de todo um setor em práticas ambientais e na adoção de tecnologia. O mesmo raciocínio vale para o grupo de grandes empresários que compõem a capa desta edição. Eles se unem para resolver questões urgentes, mas também para ser mais ativos nos debates nacionais. É um grupo que, como diz a reportagem, pode contribuir com dinheiro e gestão, mas também com um ativo tão importante nos negócios quanto na construção de um país — um sonho grande. 

Sonhar grande é o que faz a varejista online Enjoei apostar em mudanças no padrão de consumo e levar leveza e irreverência para dentro da casa dos clientes — e para a Faria Lima. É também o que faz a startup de imóveis Loft passar do zero aos 12 bilhões de reais de valor de mercado em apenas três anos. E é o que faz milhares de empreendedores Brasil afora se unirem em “vales” de tecnologia para mudar seus mercados e suas cidades. Do Açaí Valley, em Belém, ao Magazine Luiza, a hora é de as empresas subirem a barra. 

Esta edição marca também a estreia das colunas do cientista político Murillo de Aragão, especialista na relação de Brasília com as empresas. Aragão escreverá na revista e nos canais digitais da EXAME.