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Como funcionam as previsões de safra e quem faz essas estimativas? Entenda

Relatórios divulgados por órgãos brasileiros e estrangeiros funcionam como termômetro para o agronegócio mundial

Dados climáticos, imagens de satélite e levantamentos de campo ajudam a calcular quanto será colhido a cada temporada (Freepik)

Dados climáticos, imagens de satélite e levantamentos de campo ajudam a calcular quanto será colhido a cada temporada (Freepik)

Publicado em 3 de abril de 2026 às 06h30.

As previsões de safra são fundamentais para o agronegócio, o mercado financeiro e a economia global. Elas são realizadas por instituições públicas e privadas com base em dados climáticos, imagens de satélite e informações históricas de produção e dados coletados em campo. 

No Brasil, maior produtor mundial de soja e um dos principais exportadores de commodities, essas estimativas são acompanhadas de perto por produtores, empresas e investidores.

O que são as previsões de safra e por que elas são importantes?

As previsões de safra são estimativas sobre o volume de produção de uma determinada cultura em um país ou região. Elas consideram a área plantada, a produtividade esperada e fatores climáticos ao longo do ciclo das culturas.

Dessa forma, é possível analisar os impactos da produção nos preços e nas exportações, além de definir as melhores decisões de plantio.

Essas projeções ajudam governos a planejar políticas agrícolas e de abastecimento, enquanto produtores e empresas utilizam as informações para definir estratégias de venda, armazenamento e investimento.

Quais dados são usados para estimar uma safra?

Para calcular uma previsão de safra, instituições combinam diferentes tipos de dados. Entre os principais estão:

  • Área plantada e colhida;
  • Condições climáticas (chuva, temperatura e estiagem);
  • Produtividade histórica por região;
  • Uso de insumos e tecnologia;
  • Imagens de satélite e sensoriamento remoto;
  • Informações coletadas em campo com produtores.

Os períodos de análise podem variar. 

Quem faz as previsões de safra no Brasil e no mundo?

No Brasil, as principais estimativas oficiais são divulgadas por:

  • Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) - estimativas para o ano-safra, que vai de julho de um ano até junho do ano seguinte;
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - projeções com base no ano civil;
  • Órgãos estaduais e consultorias privadas do setor.

No exterior, destacam-se:

  • Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) - referência global para commodities;
  • Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) - monitora produção e segurança alimentar mundial;
  • Agências e consultorias especializadas em mercado agrícola.

As estimativas dessas instituições são amplamente utilizadas por traders, indústrias e governos.

Por que as estimativas mudam ao longo da temporada?

As previsões de safra são atualizadas periodicamente porque dependem de fatores variáveis, principalmente o clima. Períodos de seca, excesso de chuva, geadas ou pragas podem alterar a produtividade prevista.

Mudanças na área plantada, no uso de tecnologia e nas condições de mercado também influenciam os números. Por isso, relatórios mensais são comuns durante o ciclo agrícola.

Reação do mercado às previsões de safra

As projeções de safra influenciam diretamente os preços das commodities agrícolas.

Quando as estimativas apontam produção maior que o esperado, os preços tendem a cair devido ao aumento da oferta. Já previsões de quebra de safra costumam pressionar os preços para cima.

Relatórios do USDA e da Conab são acompanhados por bolsas de commodities e agentes do mercado financeiro.

Investidores utilizam esses dados para avaliar tendências de preços e tomar decisões em contratos futuros e ações de empresas do setor.

Acompanhe tudo sobre:Safra 2025/2026

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