EXAME Agro

Algodão atinge o maior preço desde 2024 diante da previsão de oferta restrita

Movimento reflete a combinação entre estimativas oficiais e incertezas climáticas que afetam a produção

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 6 de abril de 2026 às 17h17.

Última atualização em 6 de abril de 2026 às 17h17.

Os contratos futuros de algodão negociados em Nova York atingiram o maior patamar desde dezembro de 2024, em meio à reavaliação do mercado sobre dados preliminares de plantio nos Estados Unidos e sinais de restrição na oferta global.

O movimento reflete a combinação entre estimativas oficiais e incertezas climáticas que afetam a produção, informou a Bloomberg.

O contrato mais líquido chegou a avançar 1,4%, alcançando 71,93 centavos de dólar por libra. A alta ocorre após a divulgação de projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), que indicaram uma área plantada maior que o esperado.

Apesar da revisão para cima na área cultivada, o cenário é considerado otimista diante das condições de seca enfrentadas no país. Relatório da Artigas do Brasil apontou que as estimativas iniciais do USDA costumam divergir dos números finais, o que tende a gerar volatilidade nos preços.

Na quarta-feira, os contratos registraram a maior queda desde 30 de outubro, antes de recuperarem parte relevante das perdas. A oscilação ocorreu após surpresa do mercado com a projeção de aumento na área plantada, contrariando expectativas de retração devido ao clima adverso e aos preços mais baixos.

Em entrevista à Bloomberg, Raphael Bulascoschi, analista da StoneX, explicou que o mercado ajusta suas projeções diante de uma possível redução na produção não apenas nos Estados Unidos, mas também em países como Brasil, China e Austrália, considerados relevantes na oferta global.

Café Arábica Também Reage No Mercado Internacional

No segmento de commodities agrícolas, o café arábica negociado em Nova York apresentou valorização de até 1,2%, atingindo US$ 2,990 por libra. A movimentação ocorre mesmo diante da expectativa de superávit global na produção do grão.

A StoneX projeta um excedente de 10 milhões de sacas de café em 2026, o maior volume registrado desde 2020, indicando um cenário de oferta mais ampla no mercado internacional.

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