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Pressionada pelos EUA, Huawei vende marca de smartphones populares

Marca Honor, focada em aparelhos mais populares, foi vendida nesta terça-feira para um consórcio formado por empresas e estatais da China

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Huawei: empresa informou que não ficará com nenhuma participação no negócio (Geert Vanden Wijngaert/Bloomberg)

Huawei: empresa informou que não ficará com nenhuma participação no negócio (Geert Vanden Wijngaert/Bloomberg)

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Agência O Globo

Publicado em 17 de novembro de 2020 às, 19h40.

Última atualização em 17 de novembro de 2020 às, 19h42.

Pressionada pela imposição de restrições comerciais por Washington, a gigante chinesa das telecomunicações Huawei decidiu se desfazer de um de seus braços no mercado de smartphones. A marca Honor, focada em aparelhos mais populares, foi vendida nesta terça-feira para um consórcio formado por empresas e estatais da China.

Ainda não está claro se, com a negociação, a Honor continuará sujeita às restrições impostas pelos EUA à Huawei, que incluem a suspensão do acesso aos chips usados na fabricação de smartphones, por possuírem tecnologias americanas.

    Mesmo com toda pressão da Casa Branca, a Huawei se tornou a maior fabricante do setor no segundo trimestre do ano, perdendo a liderança para a Samsung no terceiro trimestre. E sem a Honor, ficará mais difícil para a Huawei se manter entre as maiores fabricantes.

    De acordo com estimativas da IDC, a Honor responde por 25% a 29% das vendas totais de smartphones da Huawei. Já para a Canalys, que usa outra metodologia, a participação da Honor varia entre 20% e 40%.

    Os topos de linha da Huawei, das linhas P e Mate, são vendidos por 4,5 mil yuans e 6,4 mil yuans, respectivamente. Os aparelhos da Honor são bem mais em conta, com o mais caro sendo vendido na China por 2,1 mil yuans.

    O consórcio que adquiriu a marca é formado pelo grupo Shenzhen Smart City Technology Development e mais de 30 outros parceiros, que vão de gigantes privados como a varejista Suning.com a empresas ligadas à estatal China Postal and Telecommunications.

    Em comunicado conjunto, a Huawei informou que não ficará com nenhuma participação no negócio, que foi fechado para ajudar a salvar a cadeia de produção da Honor e proteger consumidores e vendedores. O valor da transação não foi divulgado.

    Para Nicole Peng, analista da consultoria Canalys, ao se desfazer da Honor a Huawei pode focar seus esforços nos smartphones de marca própria. Antes das restrições impostas pelos EUA entrarem em vigor, a companhia adquiriu grandes estoques de peças e componentes, mas ela enfrenta dificuldades.

    — Definitivamente será um peso bem menor sobre os ombros — afirmou Nicole, em entrevista à CNN. — Eles têm apenas um estoque limitado de componentes. Ao menos agora eles podem ser preservados para produtos de ponta da marca Huawei.

    E o futuro é de incertezas, apesar da posse de Joe Biden na Casa Branca. A expectativa é que as relações entre Washington e Pequim se acalmem, mas não há garantia de que o democrata irá rever sanções impostas por Donald Trump.

    — Então eles precisam focar no que têm, e o que eles têm de melhor são os modelos de ponta — avaliou Will Wong, da IDC.

    Além da pressão no mercado de smartphones, a Huawei é alvo de campanha internacional promovida por Washington para convencer aliados a proibirem a empresa na construção de redes 5G. Na semana passada, o governo brasileiro se posicionou ao lado dos EUA, mas ainda não tomou a decisão se irá ou não permitir a empresa chinesa nas redes do país.

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