Na Primavera Árabe internet é faca de dois gumes

Para a Anistia Internacional, as mesmas redes sociais que favoreceram os movimentos contra a ditadura nos países árabes podem ser usadas contra a população

Manifestante egípcio mostra placa com o nome Facebook: as redes também podem ser usadas pelos governos  (John Moore/Getty Images)
Manifestante egípcio mostra placa com o nome Facebook: as redes também podem ser usadas pelos governos (John Moore/Getty Images)
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Da Redação

Publicado em 13 de maio de 2011 às 14h56.

São Paulo -- Facebook, Twitter e outras redes sociais desempenharam um papel considerável nos recentes movimentos contra a ditadura nos países árabes. Mas a internet também pode ser utilizada pelos líderes ameaçados para consolidar seu poder, afirmou a Anistia Internacional (AI) num informe publicado nesta sexta-feira.

"Não há nenhuma dúvida de que as redes sociais tenham desempenhado um papel muito importante ao permitir que as pessoas se reúnam. Mas temos que ter sempre em mente que isso dá também, aos governos, a oportunidade de tomar medidas duras contra a população", afirmou o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty. A declaração coincide com a publicação do informe anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo.

"Os governos lutam para recuperar a iniciativa ou para utilizar essa tecnologia contra os militantes", afirma o documento. A "primavera árabe", que começou com a revolta na Tunísia no início do ano, derrubou o presidente que permanecia no poder havia 23 anos, Zine El Abidin Ben Ali, e depois o presidente egípcio, Hosni Mubarak. Mas em outros países do norte da África e do Oriente Médio, como Iêmen, Líbia ou Síria, as revoltas continuam sem conseguir derrubar seus líderes. "As forças de repressão lançaram um sério contra-ataque. Na Líbia, o regime do coronel Muamar Kadafi utilizou sistematicamente a internet e meios sociais muito sofisticados para reprimir a população", ressaltou Salil Shetty.

A organização internacional também advertiu que as empresas que fornecem acesso à internet, os operadores de telecomunicações e as redes sociais correm o risco de se tornar cúmplices dos regimes, se forem utilizadas para espiar as ações dos ativistas e militantes, cortar as redes de telefonia móvel ou bloquear o acesso à internet. "Não devem se tornar marionetes ou cúmplices de governos repressivos que desejam sufocar a liberdade de expressão e espiar seu povo", adverte o informe.

Na China, onde as autoridades temem um contágio da Primavera Árabe, o controle da internet, que já era firme, foi reforçado. "É uma tentativa de prevenir uma revolta do estilo das do Oriente Médio. O governo estendeu a ofensiva contra os ativistas", adverte a Anistia. Mais de uma centena de ativistas, a maioria deles internautas ativos, desapareceram após um chamado lançado na rede em fevereiro convocando a população a se rebelar. Apesar do desenrolar "incerto" dos levantes em curso, a Anistia afirmou que a queda de ditadores e outras revoltas populares são motivo de otimismo para o futuro. "O gênio saiu da garrafa e as forças da repressão não podem voltar a prendê-lo", disse Salil Shetty.

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