Friends walking and using mobile to carnival party in Brazil (FG Trade/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 10h54.
O Carnaval, um dos períodos de maior circulação de dinheiro no país, se tornou também um dos momentos mais sensíveis para a segurança digital dos brasileiros. Se antes o risco maior era o furto de dinheiro em espécie, hoje o foco migrou para o celular, que concentra aplicativos bancários, corretoras e carteiras digitais. A combinação de aglomeração, consumo de álcool e uso constante do aparelho cria o ambiente ideal para golpes financeiros.
Nos últimos anos, criminosos passaram a substituir a força bruta pela chamada “engenharia social de rua”. A estratégia explora distração, pressa e euforia para acessar não apenas o aparelho, mas todo o ecossistema financeiro vinculado a ele. O alvo deixou de ser apenas o dispositivo físico e passou a ser o conjunto de contas bancárias, cartões e investimentos concentrados no smartphone.
"Hoje o celular é ao mesmo tempo carteira e cofre. Um aparelho furtado desbloqueado ou com notificações visíveis permite que golpistas acessem contas e investimentos em minutos. O Carnaval é o cenário ideal para o que especialistas chamam de "fraude de oportunidade", afirma Fabrício Ikeda, diretor de Parcerias da FICO, empresa global de software analítico voltado à prevenção de fraudes. Segundo ele, golpes com maquininhas adulteradas e tentativas de phishing crescem enquanto o aparelho ainda está no bolso da vítima.
Diante desse cenário, a empresa reuniu dez recomendações que combinam cuidados físicos e digitais para reduzir riscos durante a folia.
Entre os principais alertas está o chamado “visor cego”: ao pagar vendedores ambulantes, o consumidor deve evitar aproximar cartão ou celular se o visor da maquininha estiver danificado, apagado ou coberto. A recomendação é sempre conferir o valor antes de confirmar a transação.
Outro golpe recorrente ocorre após o furto do aparelho. Mensagens por SMS informando que o celular foi localizado pelo iCloud ou pelo Google costumam direcionar para páginas falsas. Trata-se de phishing, técnica usada para roubar credenciais e desbloquear o dispositivo remotamente.
A FICO também orienta desativar a pré-visualização de notificações na tela bloqueada, impedindo que terceiros visualizem códigos de recuperação de senha. Os primeiros 15 minutos após o furto são decisivos para evitar perdas financeiras maiores. Ter o número do IMEI (identificação única do aparelho) anotado e contatos de emergência do banco e da corretora facilita o bloqueio imediato.
A lista inclui ainda reduzir temporariamente limites de transferência via Pix, utilizar recursos de "modo rua", que restringem operações fora de redes seguras, e ativar biometria facial ou digital nos aplicativos financeiros. A orientação é nunca deixar que terceiros manuseiem o cartão durante pagamentos físicos e evitar compras por meio de QR Code divulgado em redes sociais ou cartazes improvisados.
Para quem possui aplicações em corretoras, a recomendação é reforçar a chamada “blindagem de investimentos”: ocultar ou até desinstalar temporariamente aplicativos financeiros durante os dias de festa, além de usar pastas protegidas por senha adicional.
A discussão sobre fraudes no Carnaval também expõe a evolução dos sistemas de inteligência artificial no setor financeiro. Plataformas baseadas em IA processam bilhões de transações em tempo real, cruzando dados de comportamento, localização e histórico de consumo.
Segundo Ikeda, a análise não se limita ao valor da compra. O sistema considera o contexto: terminal de pagamento, perfil do vendedor e padrão habitual do cliente. Essa leitura em milissegundos permite bloquear operações suspeitas antes da conclusão.
Na avaliação da empresa, o resultado depende da combinação entre atenção do usuário e tecnologia embarcada nas instituições financeiras. O Carnaval continua sendo sinônimo de festa, mas, na era do banco digital, a segurança deixou de ser apenas física e passou a exigir vigilância constante sobre dados e aplicativos.