Tecnologia

Cientistas chineses querem acelerar submarinos com lasers

O conceito, com ar de ficção científica, poderia revolucinar a propulsão subaquática

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial

Publicado em 29 de abril de 2024 às 12h15.

Última atualização em 29 de abril de 2024 às 12h21.

Uma equipe de engenheiros da Universidade de Harbin propôs uma tecnologia que pode tornar submarinos ultrarrápidos e mais silenciosos do que nunca. Mas a ideia, que de primeira parece ter saído de um filme de ficção científica, é fazer isso com lasers. O conceito poderia revolucinar a propulsão subaquática, mas enfrenta críticas quanto à sua viabilidade.

Detalhado na publicação científica Acta Optica Sinica, o projeto envolve o revestimento dos submarinos com uma malha de fibras ópticas que emitem pulsos de laser, vaporizando a água do mar para gerar plasma, a substância que é criada quando o gás é aquecido.

Este plasma, ao se expandir, criaria uma onda de detonação que atuaria como força oposta ao submarino, impulsionando-o  para a frente com uma força comparável à de um jato comercial.

O conceito, segundo Ge Yang, líder do projeto, também se estenderia a mísseis e torpedos, potencialmente aumentando seu alcance subaquático. A equipe sugere que essa tecnologia poderia induzir "supercavitação", que é quando uma camada de bolhas se forma ao redor de um objeto na água, reduzindo a resistência ao arrasto e fazendo-o viajar mais rápido.

Dúvidas

No entanto, especialistas estão céticos. Andrew Higgins, da Universidade McGill, questiona a capacidade dos lasers de serem potentes o suficiente para sustentar tal efeito. Segundo ele, a tecnologia atual de lasers não consegue oferecer esse "efeito bolha" em volta de torpedos, muito menos de submarinos.

"Mesmo com a alta eficiência dos lasers atuais, esta abordagem nunca seria tão eficiente quanto uma hélice, portanto não há ganho propulsivo líquido", disse o cientista ao Business Insider.

Além dos desafios técnicos, há uma barreira prática significativa: controlar a direção da onda de detonação de plasma para dirigir efetivamente o submarino. Os pesquisadores admitem que superar esses obstáculos será crucial antes de qualquer aplicação prática.

Contexto

A busca por inovação vem em um contexto de crescente rivalidade militar. A Universidade de Harbin é um importante centro de desenvolvimento na China e foi listada como "risco muito alto/ultrassecreto" pelo China Defense Universities Tracker, um banco de dados australiano que detalha quais instituições chinesas estão envolvidas em pesquisa científica ou militar.

Enquanto isso, a China e os Estados Unidos continuam a expandir suas frotas de submarinos, com o país asiático prevendo ter 80 unidades até 2035.

Embora a proposta de propulsão a laser para submarinos seja intrigante, resta a pergunta: será que pode dar certo? Por enquanto o projeto continua somente no papel, indicando que apenas o tempo revelará o potencial dessa ideia.

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