Tecnologia

Aftershokz Sportz M3

Ouvir música a caminho do trabalho, faculdade ou durante a prática de esportes é um padrão na vida de muitos cidadãos urbanos. Seja para fugir das buzinas ou do barulho ensurdecedor dos trilhos de metrô, há um rol de fones de ouvido que prometem bloquear todo o som externo e te manter somente com a sua […]

Aftershockz Sportz M3 1

Aftershockz Sportz M3 1

DR

Da Redação

Publicado em 14 de agosto de 2015 às 17h43.

logo-infolab

Ouvir música a caminho do trabalho, faculdade ou durante a prática de esportes é um padrão na vida de muitos cidadãos urbanos. Seja para fugir das buzinas ou do barulho ensurdecedor dos trilhos de metrô, há um rol de fones de ouvido que prometem bloquear todo o som externo e te manter somente com a sua música. No caso do Sportz M3, da americana Aftershokz, o intuito é exatamente o contrário: fazer com que você possa ouvir sua música e ouvir tudo o que se passa à sua volta, deixando as orelhas e ouvidos completamente livres.

O diferencial é que o Sportz M3 faz parte de uma nova classe de fones que não são de ouvido, mas funcionam por condução óssea. Ao invés de possuírem falantes que vibram o ar e, por consequência os tímpanos e depois os ossos do ouvido, fones de condução óssea cortam alguns caminhos, deixando o ar e os tímpanos de fora, transferindo a vibração diretamente para seus ossos do ouvido médio.

Em teoria, isso significa algumas coisas:

1) O som deste tipo de fone seria praticamente inaudível para qualquer pessoa que não estivesse em contato físico direto com o aparelho

2) Suas orelhas ficam livres para ouvir o mundo externo

3) Seria possível ouvir música embaixo d’água.

De certa forma, todos são verdade… Em parte.

Primeiramente, o som é realmente inaudível, se mantido a volumes baixos. A partir de certa altura, todos na sala podem ouvir tranquilamente o que você ouve, graças à potência dos transdutores e à inexistência de qualquer tipo de vedação ou abafador, como era de se esperar.

Que suas orelhas ficam livres, também é verdade. Demora um pouco para se acostumar a ouvir a música e o mundo externo ao mesmo tempo, exigindo até um pouco de concentração. O problema é que, com o ouvido aberto, a qualidade do som decai bastante.

 

Quanto a ouvir música embaixo d’água, é teoricamente possivel, mas não nesse caso, pois o M3 não é resistente à imersão.

Design

Os fones são dois transdutores cor-de-laranja, que devem ser usados em volta da orelha, com uma haste que dá a volta por trás da cabeça do usuário. Tudo é bastante fluido, dando um visual bastante orgânico ao produto, ainda que com cores contrastantes.

Do lado esquerdo da haste sai o cabo que liga o M3 ao smartphone. Também há um microfone e controles de volume em uma pequena caixinha que guarda a bateria. Ela é consideravelmente mais pesada do que a maior parte dos microfones de headsets, por conta do peso da bateria, que é necessária mesmo em um fone com fio. Isso é necessário por causa da maior corrente nessária para fones de condução óssea. O peso teria o potencial para ser muito incômodo, mas um clipe no microfone permite que ele seja preso na gola de uma camiseta, por exemplo, o que acaba completamente com o problema.

Áudio

Como não podia deixar de ser, o som, dada a natureza do produto, é bastante particular. Quando colocado na posição correta (no osso imediatamente à frente das orelhas), é possível ouvir a música ao mesmo tempo em que a conversa de todos ao redor. A qualidade do áudio é bastante ruim, para dizer o mínimo.

Os graves praticamente não existem e o som se distorce com muita facilidade. Um pouco descrente, acreditando que estava utilizando o produto de forma errada, procurei imagens e vídeos online, mas aquela era, de fato, a forma correta de utilizar o produto. Para uma comparação simples, utilizei os pequenos fones que vieram junto de meu Zenfone 6 e a qualidade de áudio é ordens de magnitude maior e estes são medíocres na melhor das hipóteses. É possível que isso ocorra por diferenças na condução de áudio por sólidos e por gases, mas o Sportz M3 parece reproduzir uma amplitude de frequências menor do que fones comuns, apesar de a empresa considerar a frequência de respostas entre 20Hz e 20Khz, como muitos outros fones comuns.

A sensação ocasionada pelo produto também é estranha. Em volumes mais altos ela é forte suficiente para que os tímpanos vibrem, fazendo cócegas. É similar à sensação de alguém assoprando dentro de seu ouvido, mas mais leve e constante.

O M3 foi testado durante algumas andanças pela rua, mas não foi possível dizer se as pessoas que olhavam por curiosidade com esse novo conceito de produto ou se estavam incomodadas com a quantidade de som que vazava dele. Durante um treino na academia, foi possível atestar sua boa vocação para fones esportivos. Ele não se move do lugar, mesmo durante uma corrida vigorosa, que teria soltado até fones in-ear de dentro o ouvido, graças a uma leve pressão nos ossos e um bom apoio nas orelhas.

Como um experimento, tampei meus ouvidos, para que o único som que eu ouvisse fosse aquele conduzido pelos microfones. Para minha surpresa, o áudio mudou consideravelmente. O M3 produz um som decente quando seus ouvidos estão vedados e não precisam se preocupar com mais nada.

Ou seja: o fone que promete a possibilidade de ser utilizado enquanto se ouve sons externos produz um som muito ruim nessa situação. Quando utilizado junto de tampões de ouvido, no entanto, seu som fica bastante interessante, o que mata parte do propósito do produto.

Vale a pena?

Em uma palavra, não.

O Aftershokz Sportz M3, além de trocar o S por Z em “shocks” e “sports”, é confortável, bem como bonito e curioso para qualquer pessoa que não o conheça. Mas isso não justifica suas grandes falhas.

Ouvir música em volumes altos é incômodo para o usuário por causa do excesso de vibração e para outras pessoas, por culpa do vazamento de som. A qualidade de áudio é notavelmente ruim, mesmo se comparada a fones extremamente básicos e o fato de ter uma bateria que precisa ser recarregada, mesmo não sendo sem fio, me impede de recomendar o Aftershokz Sportz M3. O produto chegará ao Brasil em breve, mas pode ser encontrado atualmente na Amazon.

Ficha técnica

Frequência de resposta20 - 20.000 Hz (Segundo a empresa)
Peso45 g
Tamanho dos DriversN/D

Avaliação técnica

PrósConfortável, particularmente para esportes
ContrasEm volumes altos o som vaza, curta duração de bateria, péssima qualidade de áudio, vibração pode incomodar alguns
ConclusãoNova tecnologia é interessante, mas o resultado ainda não bom
Áudio3,5
Áudio7,0
Isolamento3,0
Design8,0
Média5.0
PreçoUS$ 50
Acompanhe tudo sobre:EsportesFones de Ouvido

Mais de Tecnologia

Dez anos de Spotify no Brasil: o app que extinguiu a pirataria e virou sinônimo de música

O que esperar do balanço da Nvidia, a mais nova queridinha de Wall Street

Quatro operadoras da China se unem para oferecer roaming 5G entre redes

Colher elétrica promete 'temperar' alimento sem utilizar mais sal

Mais na Exame