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Adoção de tecnologias limpas chegou em "estágio de aceleração", diz estudo da IEA

Análise da Agência Internacional de Energia indica aumento significativo de veículos elétricos e geração solar, com foco em metas climáticas

Paineis de energia solar (Divulgação)

Paineis de energia solar (Divulgação)

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 31 de outubro de 2023 às 11h31.

Última atualização em 31 de outubro de 2023 às 11h33.

De acordo com o mais recente relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), o cenário mundial de transporte e eletricidade em 2030 será significativamente mais sustentável. O estudo, que se baseia nas políticas energéticas atuais dos governos mundiais, projeta um crescimento exponencial na adoção de veículos elétricos, estimando um aumento de dez vezes em comparação com os números atuais.

No que tange à geração de energia, o relatório aponta que as fontes renováveis deverão constituir metade da matriz elétrica global, com destaque para a energia solar, que, como referência, poderá superar a produção total do setor energético dos Estados Unidos nos dias de hoje.

Fundada após a crise do petróleo dos anos 1970, a IEA hoje concentra esforços para assegurar a transição energética como um meio de enfrentar mudanças climáticas extremas.

Com as energias renováveis representando atualmente a fonte mais econômica, observa-se uma redução na dependência dos combustíveis fósseis na economia global. A demanda por carvão, petróleo e gás deve atingir seu ápice nesta década. O relatório da IEA destaca, pela primeira vez, este resultado em suas análises baseadas em políticas vigentes.

Além disso, evidencia que os governos planejam aumentar em dois terços a implementação de energia renovável até 2030, em comparação com o ano anterior, segundo análises do think tank de energia Ember.

Para reduzir a poluição oriunda de residências, edifícios e transportes, a eletrificação se mostra essencial, desde automóveis até sistemas de aquecimento e refrigeração.

A expectativa é que, até o final da década, as bombas de calor elétricas superem as caldeiras a combustíveis fósseis em vendas globais. Ademais, a adoção de veículos elétricos vem acelerando, representando atualmente um a cada cinco carros vendidos, contra um em 25 no ano de 2020.

Essas tendências são positivas para os formuladores de políticas que buscam reduzir as emissões de gases de efeito estufa responsáveis pelas mudanças climáticas. O Acordo de Paris estabelece que quase 200 países trabalhem juntos para limitar o aquecimento global a cerca de 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, com o objetivo de prevenir desastres climáticos.

No entanto, mesmo com o progresso alcançado até agora, a transição para a energia limpa ainda precisa ser acelerada para atingir essa meta. O relatório da IEA enfatiza que os países precisam triplicar a capacidade de energia renovável globalmente e triplicar os investimentos em energia limpa em economias em desenvolvimento.

Obstáculos no caminho

Atualmente, o mundo ainda caminha para um aquecimento global de aproximadamente 2,4 graus Celsius neste século. O relatório também alerta para um possível excesso na oferta de gás fóssil, contrariando as metas climáticas globais, especialmente devido ao aumento de projetos de gás natural liquefeito (GNL) após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Líderes mundiais se reunirão em Dubai, em dezembro, para uma cúpula climática das Nações Unidas, onde um acordo global para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis poderá ser discutido.

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