Novo unicórnio brasileiro: MadeiraMadeira recebe aporte de US$ 190 milhões

A rodada série E de captação, que avaliou a companhia paranaense em mais de US$ 1 bilhão, foi liderada pelo SoftBank e pelo Dynamo

Está aberta a temporada de unicórnios de 2021. A paranaense MadeiraMadeira, um e-commerce de móveis e produtos para reformas, anuncia nesta quinta-feira, 7, ter recebido um aporte de 190 milhões de dólares liderado pelo conglomerado japonês SoftBank e a gestora brasileira Dynamo. Na rodada de captação série E, a empresa foi avaliada em mais de 1 bilhão de dólares, o que a coloca no seleto grupo de unicórnios do país, ao lado de empresas como Nubank, Wildlife e Creditas.

Além dos fundos que lideraram o aporte, participaram da rodada também o Flybridge e a Monashees — que já investiam na companhia — bem como VELT Partners, Brasil Capital e Lakewood Capital. 

A última captação da empresa havia sido em 2019, em rodada de 110 milhões de dólares liderada também pelo SoftBank. Segundo Paulo Passoni, sócio do fundo, o novo aporte reforça o compromisso do SoftBank com a visão de longo prazo do negócio. “Desde o nosso primeiro investimento, o time de gestão da MadeiraMadeira entregou tudo o que prometeu e a nossa confiança neles continua a crescer", afirma o gestor.

O ano do e-commerce

Fundada em 2009 por Daniel Scandian, Marcelo Scandian e Robson Privado, a MadeiraMadeira percorreu um longo caminho na última década, passando de um e-commerce de móveis para um marketplace com mais de 1 milhão de itens e nove lojas físicas espalhadas pelo país. Nos últimos cinco anos, o negócio cresceu dez vezes, tendo dobrado de tamanho em 2020.

Para o presidente Daniel Scandian, o título de unicórnio traz mais responsabilidades em relação aos investidores, mas isso não o impede de celebrar a conquista ao lado dos 1.300 funcionários da empresa. “Começamos do zero, pegamos dinheiro emprestado com parentes para investir 300.000 reais em um negócio que hoje vale mais de 1 bilhão de dólares. Temos que comemorar”, afirma.

O aporte na companhia é reflexo de um ano excepcional para o e-commerce brasileiro. O faturamento do setor cresceu 68%, ultrapassando 120 bilhões de reais, segundo a consultoria Neotrust/Compre & Confie. Empresas de tecnologias especializadas na digitalização do varejo, como VTEX, Nuvemshop e Olist abocanharam aportes milionários ao longo de 2020.

No caso da MadeiraMadeira, além de atuar no comércio eletrônico, a empresa é especializada em móveis, setor cujas vendas online cresceram 107% no ano passado. Com as pessoas isoladas em casa, as vendas de móveis dispararam, ficando atrás somente de alimentos e utensílios domésticos.

O plano do novo unicórnio

Com a nova injeção de capital, a MadeiraMadeira pretende acelerar algumas estratégias que estão em curso para tentar diminuir gargalos do negócio, como a logística. Em 2018, após uma transportadora parceira perder quase 30.000 encomendas na Black Friday, a empresa decidiu que era hora de investir em um braço próprio de logística, batizado de Bulky Log. Cerca de 18 meses depois, já foram inaugurados 14 centros de distribuição, o que vai permitir a partir deste mês que a companhia disponibilize seu serviço de entrega para os vendedores do marketplace. Os sócios não descartam aquisições para acelerar essas transformações.

Outra parte dos recursos será aplicada na recém-lançada marca própria de móveis da empresa, que tem cerca de 400 itens. Inspirada por modelos de varejistas de fora do país, a startup desenvolve produtos fáceis de montar em casa e com preço mais baixo que a média. A meta é que os itens correspondam a aproximadamente 50% das vendas próprias da companhia no e-commerce até o final de 2021.

O investimento também será usado para ampliar o número de lojas físicas da MadeiraMadeira, que começou a olhar para o mundo offline no começo de 2019. Para os sócios, espalhar seus showrooms pelo Brasil é uma forma de se aproximar dos consumidores em mais de um canal de vendas.

Mas mais do que trazer novos recursos, a nova rodada é importante para preparar a MadeiraMadeira para sua eventual abertura de capital. “Estamos trazendo novos investidores que se concentram no mercado de capitais. Junto com os atuais, eles serão a combinação certa para nos ajudar a superar nossas metas e as melhores práticas de governança da categoria”, afirma Marcelo Scandian, cofundador e diretor financeiro da empresa. 

Antes de ir a mercado, a startup está focada em escalar as frentes de negócio que abriu por isso, não pretende fazer novos lançamentos em 2021. Neste ano, a projeção é que o negócio cresça entre 80% e 100%. “A partir de 2022, temos bastante coisas na manga para lançar”, diz Daniel Scandian. 

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