Vale pode fazer cisão e IPO de unidade de metais básicos

"Sempre olhamos as opções que estão a nosso alcance", disse Bartolomeo

A mineradora Vale avalia a opção de realizar um "spin off" (cisão) da unidade de metais básicos, em um arranjo que buscaria agregar valor ao negócio, afirmou nesta terça-feira o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo.

Atualmente, o executivo destacou que a empresa trabalha no aprimoramento da produtividade dos diversos ativos de metais básicos e que se vê como uma importante fornecedora de produtos premium para carros elétricos.

"Sempre olhamos as opções que estão a nosso alcance", disse Bartolomeo, ao participar de teleconferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre.

"Existe uma discrepância, que já existia no passado, de não percepção de valor de metais básicos dentro da Vale... claro que a gente olha essa opção (de realizar um 'spin-off'). A gente começou a analisar.

"Temos que trabalhar nas fundações do negócio e estarmos prontos para as opcionalidades", afirmou.

"As fundações... são projetos de reposição de capacidade..., que é importantíssimo para o negócio, inclusive se for fazer um IPO; os trabalhos de produtividade, que são obviamente necessários... e claramente a VNC, que a gente considera muito sucesso a saída de um ativo que obviamente não adicionava no portfólio."

O executivo também destacou que a empresa se "vê de fato como uma das poucas empresas ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), 'green', com portfólio muito forte de produtos de todos os níveis, de todas as dimensões ligados ao carro elétrico".

Os estudos vêm após a empresa ter concluído compromissos importantes para reparações e indenizações relacionadas ao rompimento de barragens em Minas Gerais nos últimos anos, com grande número de mortes e de danos ao meio ambiente.

A empresa chegou a avaliar em 2014 a realização de uma cisão da unidade de metais básicos para realizar um IPO, mas o tema perdeu força após o rompimento de barragem da Samarco --joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP--, em novembro de 2015.

O vice-presidente-executivo de Metais Básicos, Mark Travers, ressaltou que a empresa tem hoje melhor "fundação" e "narrativa" para a realização da cisão do que tinha em 2014.

VENDAS DE ATIVOS DE CARVÃO

Em meio aos avanços com compromissos ESG, a Vale busca a venda de sua mina de carvão Moatize, em Moçambique. Segundo executivos da mineradora, foram assinados mais de 20 acordos de confidencialidade, e o desinvestimento do empreendimento poderá ser realizado ainda neste ano.

"Há sim muitos interessados... ainda é muito preliminar ver se esse interesse vai se traduzir em real intenção. Mas estamos positivos de que teremos novidades ao longo do segundo semestre, nesse processo de desinvestimento", disse o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Luciano Siani.

Ele destacou ainda que a empresa tem grande expectativa para aumento da produção na mina de Moatize e acredita ser "perfeitamente possível" que o negócio gere caixa positivo já no início de 2022, desde que haja uma recuperação dos preços do carvão.

O objetivo é atingir produção de 15 milhões de toneladas em Moatize no início do segundo semestre. No início de 2022, a produção poderá atingir 18 milhões de toneladas, com a chegada de novos equipamentos já encomendados, segundo Siani.

Mais cedo, executivos da mineradora afirmaram estarem confiantes de que a companhia atingirá a meta de produção de minério de ferro --sua principal commodity-- para este ano, no intervalo entre 315 milhões e 335 milhões de toneladas, diante dos resultados já alcançados e de perspectivas para o ano.

Também previram que haverá suporte para o prêmio de minério de ferro ao longo do ano, com demanda chinesa firme. Diante de resultados positivos, a empresa estuda formas de ampliar a remuneração aos acionistas, por meio de dividendos adicionais e ampliação de recompra de ações.

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