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Tem tempo para um café? Os sócios-fundadores da Mais1.Café não tinham. Pelo menos, não para o tipo de café que gostariam, mais elaborado e com melhor qualidade. O que eles tinham à época eram compromissos envolvendo uma outra franquia, a Sniper, um negócio de tiro ao alvo com armas de airsoft.  

Quando retornaram ao escritório, a ideia irrompeu: por que não criar uma franquia de café? O negócio nasceu daí, em 2019.  Por trás da Sniper, os quatros tinham a franqueadora PDMG, com um modelo já estruturado para entrar em outras áreas percebidas como oportunidades. E o Mais.1 Café se aproveitou desse fator.

“Nós não éramos do café nem entendia nada sobre, éramos uma franqueadora. Não tínhamos uma cafeteria e fomos para a franquia. A gente fez uma franquia e colocou um café dentro”, afirma Gare Marques, cofundador e diretor de marketing. Os outros sócios são Vinicius Delatorre, diretor operacional, Alan Parise, diretor de Expansão, e Hilston Guerim, diretor Jurídico e de Projetos.

Como a operação foi desenvolvida

Quatro meses depois, a primeira loja era aberta em Curitiba, cidade natal dos empreendedores, com um estilo comprar e levar – no jargão do mercado, coffee to go. No cardápio, um blend feito com café 100% arábica, de fazendas de Alta Mogiana, região conhecida pela produção de cafés de alta qualidade. E ainda croissant importado da França e donuts da Polônia.

O negócio decolou e, em menos de 1 ano, chegou a 100 unidades de franquias. Segundo os dados mais recentes da ABF (Associação Brasileira de Franchising), a rede saltou de 189 para 394 unidades entre 2022 e 2021, crescimento de 108,5%. A taxa de expansão elevada garantiu a entrada da Mais1.Café no ranking das 50 maiores franquias do país, na 48ª posição.

“Nós estamos abrindo uma franquia a cada 30 horas”, diz Marques. O ritmo de crescimento da franquia fez com que os sócios direcionassem o foco 100% na Mais1.Café. A Sniper sofreu - e muito – com a pandemia, quando os shopping centers, a principal base do negócio, ficaram fechados ou com limitação de fluxo de pessoas, e encerrou as operações.

O Mais1.Café é o sétimo negócio de Marques, que tem uma história curiosa no mundo do empreendedorismo. Ele já teve desde empresas de alto-falantes automotivos a equipe na Stock Car e marca de sandálias personalizadas para exportação. Todos os empreendimentos acabaram fechando por situações adversas e que fogem ao controle.

Na lista, medidas antidumping do governo chinês, para evitar que produtos brasileiros concorressem com fabricantes locais; acidentes; e a pandemia de Covid-19. "Todas essas situações me ensinaram muito e me ajudaram a ter sucesso hoje em dia. O que não pode é desistir".

Como funciona o negócio da Mais1.Café

O modelo da Mais1.Café aposta em um formato de praticidade para conversar com um consumidor que está “de passagem”: ele entra na loja, faz a compra e consome os produtos em casa ou no trabalho. A cada pedido, deixa, em média, R$ 23,00.

Com esse conceito, as lojas da franquia não precisam de grandes espaços. Na realidade, a média está em áreas de 20 metros quadrados, o que, na ponta, significa menores desembolsos em locação e contratação de time. Em muitas lojas, como o pedido é feito em totens digitais, um único barista fica responsável pela operação por vez.  

Hoje, além dos cafés, responsáveis por 40% do faturamento, os salgados respondem por outros 40% e os 20% restantes vêm da comercialização de produtos e acessórios, como canecas, drip coffee e cápsulas de cafés.  

“Nós temos uma expansão rápida porque trabalhamos com lojas em várias formas. Tem cafeteria em contêiner, drive thru, algumas que estão dentro de algum estabelecimento, sublocando espaços, por exemplo”, afirma o executivo. Cada franquia sai por um valor de R$ 180 mil.

O que também tem acelerado o ritmo da Mais1.Café é o desenvolvimento de parcerias, as conhecidas collabs. A marca tem produtos com Nutella, Nestlé (Kitkat, Negresco etc) e Minions (acordo com a Universal Products & Experiences). E ainda com a Gol, mais recentemente, como uma forma de gerar experiência. No último ano, os produtos feitos em collabs representaram 32% do faturamento. A rede encerrou o ano de 2022 com receita de 70 milhões de reais, 119% de aumento sobre o número de 2021.

“Quando você se alia a marcas tradicionais, você chama a atenção de um público novo e, principalmente, melhora a experiência do cliente. Ou seja, você acaba encurtando o caminho e ainda ganha em credibilidade para o seu negócio”, diz Marques.  

Quais são os próximos passos da franquia para manter o ritmo de crescimento

Hoje, a Mais1.Café está em 25 estados do país, mas ainda muito concentrada no Sul e Sudeste, em cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Na estratégia, o foco é aumentar a capilaridade no Rio de Janeiro e na região Nordeste.

O futuro do negócio, segundo Marques, passa pelo aumento do mercado de cafés especiais no país, seguindo um processo de popularização similar ao percorrido pelo vinho e a cerveja artesanal. Outra oportunidade está em cafés gelados, incipiente no Brasil, mas grande em lugares como Estados Unidos e Europa. 

Em outro estágio, a empresa olha para internacionalização do negócio. Ainda em fase de testes, a Mais.1 Café inaugurou a sua primeira unidade no Paraguai recentemente - a segunda chega agora, em agosto."Nós estamos segurando a internacionalização. Temos muitas oportunidades no Brasil e não queremos dividir os esforços. No Paraguai, nós conseguimos ficar mais próximos e testar os modelos", diz.   

Na soma do profissional, a combinação de cenários pode levar a empresa a 3 mil lojas no intervalo de 10 anos. No curto prazo, a Mais1.Café espera bater 800 unidades em dezembro deste ano, com um faturamento de 130 milhões

Apesar da velocidade de crescimento, a rede deve enfrentar desafios para manter esse ritmo. A cada dia, novas franquias de café e cafeterias acirram ainda mais a concorrência no setor, com novas opções, sabores e modelos de negócios. Em contrapartida, a demanda se mostra menor. Segundo a ABF, as franquias de alimentação, área em que as cafeterias estão inseridas, cresceram 10,4% em faturamento entre 2022 e 2021. Tem espaço para tanta franquia de café? É uma tese a se observar ao longo dos anos.

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