Receita da Aurora cresce mais de R$ 4 bilhões e ilustra momento de ouro do agro

Dólar em alta e forte apetite da China estão por trás da alta dos números da cooperativa, que é a terceira maior processadora de carnes do país, e é formada por 67 mil famílias

As altas nas exportações, os reajustes no valor cobrado por carne suína Brasil e o Real em queda favoreceram a Aurora em 2020. A empresa, que reúne 11 cooperativas que compram de mais de 67 mil famílias produtoras, teve uma receita bruta de R$ 14,6 bilhões no ano passado. Em 2019, ela havia sido de R$ 10,9 bilhões.

O resultado é consequência principalmente da alta demanda chinesa. Dos 14,6 bilhões de receita, o mercado interno respondeu por 64,9% dela. As exportações responderam por 35,1%. Em volumes, o mercado doméstico absorve 70% da produção e as exportações, 30%. 

O crescimento das exportações da Aurora foi de 61,8% em receitas e 23% em volumes. A China, sozinha, ficou com 40% das exportações totais da cooperativa. Dessa forma, a Aurora responde por 17,5% das exportações de carnes suínas do Brasil e por 6,6% das exportações de frango. Anteriormente eram, respectivamente, 16,8% e 6,4%. 

Com o forte apetite chinês, cooperados da empresa que ainda não tinham habilitação para exportação correram contra o tempo para se adequar às regras e aproveitar a oportunidade de vender mais.

Hoje, a Aurora é a terceira maior processadora de carne do país e trabalha principalmente com suínos e aves. A empresa tem 35 mil trabalhadores diretos e seus fornecedores outros 46 mil.

O bom momento da empresa mostra a força do agronegócio em 2020, que teve um resultado econômico positivo, ao contrário do restante da economia brasileira, em meio à pandemia do coronavírus.

Na comparação com 2019, o número de suínos abatidos saltou 11,78%, de 22.487 para 25.135 animais por dia. No segmento aves, o incremento foi de 2,5%, permitindo elevar a capacidade de 980.000 para 1.004.381 aves abatidas por dia.

Apesar da alta nos valores da ração de suínos, derivados do milho e da soja, a Aurora aumentou em 13,5% o abate total do período, totalizando quase 6,1 milhões de suínos.

A cooperativa central exportou 192 mil toneladas – ou seja, 57% mais que em 2019 – para 36 países, tendo como principais destinos a China, Hong Kong, Estados Unidos, Chile e Japão.

O abate industrial gerou 568 mil toneladas de carnes de aves, das quais 261 mil toneladas destinaram-se ao mercado externo. As exportações, portanto, cresceram 6%. 

A alta na demanda não exigiu grandes investimentos no aumento na criação de mais animais, de acordo com o presidente Neivor Canton. O que precisou ser alterado foram as linhas de produção, que passaram a operar também nos dias de sábado. Além disso, cerca de 5 mil novos postos de trabalho foram criados.

De acordo com o executivo, o ciclo de vida do suíno é de pelo um ano, o que dificulta qualquer intenção de aproveitar um momento específico de alta na demanda com incremento nas criações.

"Não existe muita flexibilidade na produção. Depende do ciclo. A ave tem um ciclo mais curto. O suíno tem um ciclo de um ano. Então, os ajustes são difíceis de se fazer para aproveitar essas oportunidades", explica Canton. 

Com mais demanda por exportações, o presidente da Aurora explica que a empresa pode escoar um excesso de oferta que vinha encontrando no Brasil até então, o que liberou espaço para um reajuste dos preços cobrados, o que também melhorou os dados do faturamento. 

Investimentos

Para os próximos anos, Canton não vê as vendas para a China com tanta força, até porque o país está investindo fortemente na criação de suínos, que foi dizimada em 2020 devido à peste africana.

A Aurora deve investir 500 milhões de reais, principalmente na expansão da sua área de processados e congelados. Quanto à demanda, a atenção da empresa está no crescimento do consumo de aves, que deve aumentar 20%.

Como é uma cooperativa, diferentemente dos concorrentes JBS e BRF, a Aurora trabalha com a formação e aumento da produtividade do pequeno produtor. 

“O pequeno produtor jamais estaria participando de algumas oportunidades se não fosse um esquema de cooperativas. Há todo um esforço para que o pequeno produtor não desapareça.  Há programas de qualidade que são levados ao campo, e que estancaram o êxodo rural”, defende o presidente da empresa.

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